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Carla Araújo


Carla Araújo

Bolsonaro reforça fritura de Guedes, mas ministro deve insistir no cargo

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes - ADRIANO MACHADO
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: ADRIANO MACHADO
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

26/08/2020 13h39

Agora não é mais no bastidor. O presidente Jair Bolsonaro usou um evento em Minas Gerais nesta manhã para explicitar a discordância que tem com o programa Renda Brasil, que o ministro Paulo Guedes (Economia) queria ter lançado nesta semana.

Na fala pública de hoje, o presidente avisou que mandou suspender os planos de Guedes e deixou o clima de fritura do ministro ainda mais evidente.

"Ontem discutimos a proposta, a possível proposta do Renda Brasil. Eu ontem falei 'está suspenso'. Vamos voltar a conversar. A proposta como a equipe econômica apareceu para mim não será enviada ao Parlamento", disse Bolsonaro.

A reação foi imediata em Brasília. Até quem estava mais reservado no entorno de Bolsonaro admitiu que a situação do ministro Paulo Guedes é cada vez mais difícil.

Um auxiliar palaciano, ainda surpreso com o impacto da declaração, afirmou que o presidente já deve estar procurando alguém "com uma agenda diferente da de Guedes" para uma possível substituição.

Vaidade intelectual

No Ministério da Economia a declaração do presidente também caiu muito mal. Um auxiliar direto do ministro reconheceu que a "coisa está quente" e lamentou que o presidente ainda mostre resistências em mudanças econômicas que serão necessárias para o país ter uma retomada.

O entorno de Guedes, no entanto, não acredita que o ministro peça para sair e afirma que ele ainda segue determinado em sua agenda e em permanecer no governo. Segundo uma fonte próxima a Guedes, o ministro "não vai sair por baixo".

Outro auxiliar lembra que, durante sua trajetória profissional, Guedes foi alvo de muitas críticas de outros economistas e que possui uma "vaidade intelectual" de colocar sua agenda em prática.

Do lado do presidente, um ministro disse também que Bolsonaro não vai demitir Guedes, talvez só parar de concordar com a sua agenda.

Diante deste cenário, na Economia, já há quem veja o ministro jogando a toalha. Apesar de "duvidar" que Guedes peça demissão, um auxiliar pondera: ele poderia até pedir para sair se o seu programa for um "colapso total". E com o Renda Brasil suspenso essas chances aumentam.

Pró-Brasil segue em pauta

Enquanto o presidente reclama da proposta da equipe de Guedes, o programa Pró-Brasil, capitaneado pela Casa Civil, de Walter Braga Netto, continua em pauta. O ministro estava, inclusive, ao lado do presidente na agenda de Minas hoje.

Até sexta-feira, o governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei para remanejar cerca de R$ 5 bilhões para os ministérios do Desenvolvimento Regional, comandado por Rogério Marinho, e da Infraestrutura, de Tarcísio de Freitas.

Na reunião que aconteceu ontem, Bolsonaro entendeu também que há demandas por parte do Congresso, que gostaria de uma fatia desses recursos para que parlamentares possam direcionar para retomada de obras em suas bases.

Hoje cedo, antes de viajar a Minas Gerais, ele recebeu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, justamente para falar sobre a divisão desses recursos.

Segundo uma fonte, as contas e o bolo da divisão ainda estão sendo finalizadas. E isso, Bolsonaro não mandou suspender.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo