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Cartão vermelho de Bolsonaro no Renda Brasil não foi para mim, diz Guedes

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

15/09/2020 12h41Atualizada em 15/09/2020 15h25

O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que não recebeu um cartão vermelho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelos estudos da equipe econômica para congelar aposentadorias e outros benefícios para bancar o Renda Brasil.

"O cartão vermelho não foi para mim. Conversei com o presidente hoje cedo. Conversamos sobre as notícias dos jornais. Eu lamentei muito essa interpretação porque, na verdade, tem uma PEC falando justamente em devolver à classe política brasileira o comando sobre os orçamentos públicos", disse Guedes durante o evento Painel Telebrasil 2020.

Bolsonaro divulgou hoje um vídeo nas redes sociais desautorizando mais uma vez a equipe de Guedes (veja abaixo). No domingo, um dos principais assessores de Guedes, o secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse ao G1 que o governo estuda desvincular benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, do salário mínimo.

A medida defendida pelo secretário abriria espaço no Orçamento para financiar o Renda Brasil, já que na prática a desvinculação acarretaria num congelamento das aposentadorias. Segundo Rodrigues, ficariam sem reajuste por dois anos todas as aposentadorias, das com valor de um salário mínimo até as de valores mais altos.

Hoje as aposentadorias e pensões são reajustadas de acordo com o salário mínimo. O salário mínimo, por sua vez, é reajustado anualmente pelo menos para repor perdas com a inflação, como determina a Constituição.

Segundo Guedes, não há problema de um estudo da equipe econômica ser divulgado pela imprensa. Entretanto, ele declarou que houve um tratamento seletivo da informação, que prejudica o debate. O ministro afirmou que a proposta é acabar com todas as indexações, vinculações e obrigações orçamentárias para que os recursos do orçamento sejam gastos de outra maneira.

"É um trabalho de focalização das despesas para os mais desfavorecidos. Já que começou uma notícia que não está na cabeça presidente, se estão interpretando assim, acabou. Ele repetiu o que já tinha falado. Ele disse que não voai tirar dinheiro do pobre para passar para os mais pobres", disse.