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Guedes faz aceno simbólico de unidade e insiste em "tributos alternativos"

Ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília -
Ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

23/09/2020 13h52

Uma semana depois da ordem do presidente Jair Bolsonaro de não se falar mais em Renda Brasil até 2022 e de criar um novo desgaste na equipe de Paulo Guedes (Economia) ao ameaçar dar um cartão vermelho por conta de declarações do secretário Especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, o governo tenta passar a ideia de unidade em busca da retomada da agenda econômica.

Ontem à noite, Guedes fez uma longa reunião com líderes, membros do governo e da Receita Federal para tentar alinhar a reforma tributária que pretende enviar "na semana que vem" para o Congresso.

O principal ponto que o ministro quer avançar é a "nova CPMF" que, de acordo com o governo, não resultará em aumento de carga tributária e pode ajudar na retomada do emprego e da renda.

"Queremos facilitar a criação de emprego, então vamos fazer um programa de substituição tributária", disse hoje no Palácio do Planalto após mostrar as ideias para a aprovação do presidente da República. Guedes reforçou ainda que é preciso desonerar a folha de pagamentos, "por isso precisamos de tributos alternativos".

Alinhamento

Após a reunião com Bolsonaro, Guedes deu declarações à imprensa ao lado do ministro da articulação, Luiz Eduardo Ramos, e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros.

A forma e o conteúdo das declarações representam um gesto mais simbólico do que prático. Isso porque, o ministro da Economia não quer correr o risco de ver as ideias de sua equipe tornarem-se públicas antes da hora. Além disso, Guedes está rompido com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e a ordem agora é dividir o seu poder com parlamentares.

Segundo um auxiliar do presidente, nenhuma proposta sairá da equipe econômica sem o aval da ala política do governo.

Barros chegou a dizer que "é vontade do governo terminar o ano" com as reformas (tributária e administrativa) aprovadas, mas como bom parlamentar que é completou a frase ponderando a dificuldade de se avançar como o ministro da economia gostaria.

"Obviamente a consulta aos senhores líderes é fundamental", disse Barros.

Barros deixou claro ainda que o presidente Bolsonaro "autorizou que pudéssemos instrumentalizar a reforma tributária", mas na sequência foi mais realista e afirmou que: "não há neste momento nenhuma afirmativa que podemos fazer de que isso ou aquilo estará dentro do texto a ser apresentado".

Ou seja, por mais que haja vontade de se avançar com os projetos do governo, com tantas mãos escrevendo a agenda que um dia já foi só de Guedes é difícil acreditar que o consenso chegará "semana que vem".

"Estamos construindo a solução", prometeu o ministro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.