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Carla Araújo

Bolsonaro tem problemas com o Renda Brasil, que segue sem solução

07 out. 2020 - Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes durante o lançamento do programa Voo Simples - Mateus Bonomi/AGIF - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
07 out. 2020 - Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes durante o lançamento do programa Voo Simples Imagem: Mateus Bonomi/AGIF - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

12/11/2020 20h28

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (12) que com "certeza" o auxílio emergencial será prorrogado caso o Brasil sofra uma "segunda onda" de Covid. Uma das várias perguntas a serem respondidas é qual o critério para definir essa segunda onda.

Quem vai decretar que estaremos com os casos em alta? O Ministério da Saúde? As secretarias estaduais de saúde? Os prefeitos? Os governadores? O presidente Jair Bolsonaro? O Congresso? Se não houver acordo, o Supremo? E a partir de que ponto será considerada uma segunda onda? Quando um terço (ou metade?) dos estados estiverem com casos em alta de mais de 10% (ou 20%, ou 30%, ou 50%) por mais de uma semana (ou duas, ou três)?

Não são perguntas triviais. Na reta final do ano, sobram dúvidas e incertezas em um país que ainda sofre com as consequências de uma pandemia, vê sua dívida pública escalar e está tomado por disputas políticas graças, sobretudo, ao enfraquecimento moral do presidente da República.

Bolsonaro, que, pela própria natureza do cargo de presidente, deveria ser o líder que reúne consenso em um momento de extrema complexidade, tem presenteado os brasileiros com mais crises, provocações e brincadeiras que não recebem mais apoio nem entre seus pares. Desautoriza generais e briga publicamente com governadores, faz guerra contra o desenvolvimento de uma vacina e gasta tempo precioso com discursos nonsense que transformam as Forças Armadas em piada.

Bolsonaro tem problemas com o Renda Brasil. Já ameaçou com um cartão vermelho a equipe de Paulo Guedes e mandou enterrar o programa e passou a responsabilidade ao Congresso. O cardápio de alternativas foi apresentado e vetado pelo presidente. O próprio Bolsonaro diz que pior que uma decisão errada é uma indecisão. Nesse caso, onde estão as decisões?

É matemática

Tudo poderia ficar como está não fosse o fato de o país estar no vermelho, com uma dívida pública cada vez mais cara, com prazo mais curto para pagamento e com um caixa com cada vez menos fôlego para os vencimentos.

Portanto, simplesmente empurrar com a barriga um programa emergencial do tamanho daquele elaborado durante a escalada do coronavírus sem nenhum tipo de contrapartida empurraria o país para um caminho perigoso, com a dívida crescendo acima do já significativo patamar de 96% do PIB a ser registrado ao fim de 2020 (em 2019, eram 75%).

O descaso com o tratamento da dívida pública já foi experimentado por nações como Argentina e Venezuela. Queremos arriscar ir por esse caminho? Ou será que nossas lideranças poderiam chegar logo a um consenso sobre como financiar os gastos com mais vulneráveis?

O estado de calamidade decretado por conta da pandemia autorizou a "PEC da Guerra" e liberou todos os gastos. Ele acaba no dia 31 de dezembro.

Agenda eleitoral

O responsável pela elaboração do relatório do Orçamento de 2021, senador Marcio Bittar (MDB), está em campanha no Acre, seu estado. Questionado se estaria também acompanhando o debate em torno do fim do auxílio emergencial, prometeu voltar para Brasília na segunda-feira para tratar do assunto.

"Eu não vejo como o Brasil fechar os olhos para esses milhões de brasileiros", disse o senador à coluna, enumerando que cerca de 7 milhões deles "não têm o que comer a partir de janeiro se nós não criarmos o Renda Brasil".

O senador usou hoje as redes sociais para dizer que estava trabalhando. Com um jatinho particular, disse que estava em "dias intensos de campanha".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.