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Carla Araújo

Em clima tenso com Doria, Pazuello diz que país comprará "todas as vacinas"

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

08/12/2020 14h08Atualizada em 08/12/2020 18h11

Uma reunião entre o ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, e governadores expôs nesta terça-feira (8) em duro embate as divergências políticas em torno do debate sobre a vacinação contra a Covid-19

Durante a reunião, Pazuello foi cobrado pelo governador de São Paulo, João Doria, sobre as razões de o governo do presidente Jair Bolsonaro não ter investido recursos na CoronaVac, vacina contra a covid-19 produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan

Em áudios obtidos pela coluna, Doria (PSDB) questiona a razão de o governo federal já ter gasto cerca R$ 2 bilhões com fabricantes de imunizantes que não têm nenhum registro e nenhuma vacina pronta e não ter investido "nenhum real na Coronavac do Butantan".

"Seu ministério vai comprar a CoronaVac, sendo aprovada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], sim ou não, ministro?", questionou Doria.

Ao responder ao tucano, Pazuello diz que gostaria de manter com ele a mesma forma "educada e gentil" de tratamento, mas depois acabou alfinetando o desafeto político de Bolsonaro.

"Eu já respondi isso, a todos os governadores, quando a vacina do Butantan, que não é do estado de São Paulo, tá governador? Ela é do Butantan, eu não sei por que o senhor fala tanto como se fosse do estado", disse o ministro da Saúde.

Depois, ainda com clima tenso, Pazuello lembra que o Butantan é respeitado e reconhecido nacionalmente e que se "houver demanda e preço, nós vamos comprar".

"O registro é do laboratório e havendo demanda, havendo preço, todas as vacinas e todas as produções serão alvo de nossa compra", completou o ministro.

Pazuello disse ainda que o Brasil é um só quando se fala no Plano Nacional de Imunizações (PNI). "O PNI é nacional. Não pode ser paralelo. A gente tem que falar a mesma linguagem. Nós só temos um inimigo: o vírus. Temos que nos unir", disse.

Doria, por sua vez, lembrou o episódio que Bolsonaro desautorizou Pazuello após o anúncio de que o governo compraria 46 milhões de doses da vacina. "Infelizmente o presidente da República o desautorizou e foi deselegante com o senhor", disse o governador, que participou da reunião por videoconferência.

Na mesma reunião, o ministro da Saúde afirmou que a Anvisa deve demorar 60 dias para aprovar o uso de qualquer vacina contra a covid-19.

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