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Carla Araújo

Para militares, Pazuello usa imagem das Forças Armadas de forma equivocada

14.jan.2021 - Jair Bolsonaro (sem partido) com o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, em live semanal transmitida pelas redes sociais - Reprodução/Redes sociais
14.jan.2021 - Jair Bolsonaro (sem partido) com o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, em live semanal transmitida pelas redes sociais Imagem: Reprodução/Redes sociais
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

18/01/2021 15h19

Não é de hoje. Generais da ativa e da reserva são praticamente unânimes em dizer que o atual ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, já deveria ter pedido para ir para a reserva.

Em meio à pandemia, oficiais toleraram a permanência de Pazuello como ministro ainda na ativa, justamente porque o general assumiu dizendo que seria uma missão temporária e queria continuar a sua carreira no Exército.

Agora, há oito meses no cargo, com o general no centro de uma crise sanitária e de atraso na vacinação, militares de alta patente afirmam que já "passou da hora" de ele tomar uma decisão. "Falta simancol", afirmou um general da reserva à coluna.

No Quartel-General do Exército o desconforto com a continuidade do general na ativa se explica por duas razões: a primeira é a utilização equivocada da imagem das Forças Armadas. A avaliação feita é que ao obedecer o presidente Jair Bolsonaro em posturas negacionistas, Pazuello mina a credibilidade dos militares, que buscam ser exemplo.

Outro ponto que gera incômodo é que Pazuello entrou de vez na briga política ao rebater o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP). Para generais ouvidos pela coluna, apesar do oportunismo de Doria, a postura de um militar e também de um ministro de estado deveria ser mais republicana.

Sem movimentação

Apesar da pressão, ainda não há no departamento responsável pelos pedidos de reserva nenhuma comunicação de Pazuello. O requerimento de solicitação é um documento padrão. Após assinado, o pedido leva de 15 a 30 dias para ser deferido ou não pelo setor responsável do Exército. Com a reserva aceita, o ato então é publicado no Diário Oficial da União.

E como ministro?

Se militares são unânimes em dizer que Pazuello já deveria ter ido para a reserva, ao serem questionados como avaliam a atuação do ministro, a maior parte faz críticas. "Lamentavelmente a atuação do general é desastrosa", disse um colega de patente.

Há, porém, quem relativize a atuação do ministro. De acordo com um militar que despacha no Palácio do Planalto, Pazuello "está se virando como pode" e tentando solucionar a série de problemas que surgem em meio a uma pandemia.

Para o general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro do governo, a responsabilidade pelo atraso na vacinação nacional e também sobre a crescente crise em Manaus não é apenas responsabilidade de Pazuello. "Desde o início da pandemia do corona vírus estamos vivendo uma total irresponsabilidade e show de incompetência governamental", disse à coluna.

Questionado sobre essa insatisfação com o general ainda na ativa, Santos Cruz afirmou que se trata de um "erro da parte da legislação que permite isso".

Desgaste no governo

Apesar da pressão crescente para que Pazuello deixe o cargo, fontes próximas ao presidente afirmam que ele não pretende ceder e quer manter o general - seja da ativa ou da reserva - ainda no governo.

A pressão pela saída de Pazuello começou a ganhar força na semana passada, com o agravamento da situação em Manaus e a recusa da Índia em entregar as 2 milhões de doses da vacina de Oxford contra o coronavírus encomendadas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Na sexta-feira à noite (15), em uma reunião no Palácio da Alvorada, o presidente se mostrou incomodado por estar sendo culpado pela falta de oxigênio em Manaus e também das relações diplomáticas que estavam à beira do fracasso.

No Ministério da Defesa, segundo fontes, há um mal-estar por conta da atuação do ministro, principalmente por não ter feito de forma firma uma defesa em relação à atuação da FAB (Força Aérea Brasileira). Apesar de já atuarem em Manaus desde o dia 8 de janeiro, a avaliação feita é que o ministro não soube comunicar de forma correta o trabalho que estava sendo feito e passou a impressão de que havia falhas graves na condução da ajuda das Forças Armadas.

Questionada pela coluna sobre a demora em entregar oxigênio em Manaus, a FAB destacou que "tem atuado na Operação COVID-19, coordenada pelo Ministério da Defesa, realizando missões de transporte aéreo logístico em todo o território nacional, as quais foram intensificadas recentemente para a cidade de Manaus".

"O Comando da Aeronáutica reitera que está dedicando permanentemente o esforço do seu efetivo e de suas aeronaves 24 horas por dia e 7 dias por semana em atendimento às necessidades da sociedade brasileira no enfrentamento à pandemia da COVID-19", afirmou a FAB, via assessoria de imprensa.

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