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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Chegou a hora de mostrar nossa força de novo, diz líder dos caminhoneiros

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

01/03/2021 11h52

O quinto aumento seguido do preço da gasolina e do diesel, anunciado nesta segunda-feira (1º) pela Petrobras, está repercutindo entre caminhoneiros que começaram uma mobilização para cobrar respostas do presidente Jair Bolsonaro.

"Não vou repetir as palavras do presidente, mas "acabou,pô". Não dá mais. Agora chegou a hora de todos os trabalhadores, os autônomos, dos caminhoneiros se unirem novamente. Vamos mostrar a nossa força de novo", disse à coluna o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.

Chorão foi uma das figuras de destaque durante a greve de 2018 no governo Michel Temer e, até agora, apesar de fazer cobranças ao presidente Bolsonaro, não estava apoiando uma nova paralisação.

Questionado se pretende organizar uma nova grande greve, Chorão afirmou que ainda vai realizar conversas com outras lideranças, mas que a tendência é que haja algum tipo de protesto.

A principal demanda da categoria, segundo Chorão, é mudar a política de preços da Petrobras. "Eles falam que está defasado, mas a estatal dá muito lucro", disse.

Na última quinta-feira, o ainda presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, defendeu a atual política de preços da empresa. "O preço não é caro nem barato, o preço é preço de mercado", frisou o executivo. "E se o Brasil quer ser uma economia de mercado tem que ter preços de mercado. Preços abaixo de mercado geram muitas consequências, algumas imprevisíveis, outras previsíveis, mas sempre negativas".

No governo, apesar da indicação do general Joaquim Silva e Luna para assumir o comando da estatal, auxiliares do presidente, principalmente os da ala econômica, ainda defendem a manutenção da atual política de preços.

Queremos vacina

Segundo Chorão, a maior parte da categoria acabou optando por não parar no início de fevereiro, quando chegou a ter uma convocação de greve, por conta da situação da pandemia.

"Mas os governos não estão respeitando a pandemia. Os governadores não estão, o presidente não está. Nós estamos só sendo prejudicados", disse.

Chorão disse ainda que a promessa do governo de facilitar a vacinação para os caminhoneiros ainda não se concretizou. "Colocaram nas prioridades, mas a vacina não chegou", disse.

Decreto prometido para hoje

Segundo fontes do governo, será publicado ainda nesta segunda-feira o decreto que vai reduzir o PIS/Cofins do Diesel e que foi uma promessa do presidente. A ideia de auxiliares de Bolsonaro é que o anúncio do decreto hoje amenize um pouco o aumento anunciado pela Petrobras.

"A partir de primeiro de março também não haverá qualquer imposto federal no Diesel por dois meses", foi a promessa feita pelo presidente no último dia 18.

Bolsonaro chegou a reclamar da demora da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, em encontrar uma solução fiscal que permitisse a redução dos impostos federais. Para mexer na receita e não descumprir a Lei de Responsabilidade fiscal, o governo precisa apontar onde conseguirá compensações, ou seja, como conseguirá arrecadar o que vai abrir mão. Até agora essa informação não foi divulgada.