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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Funcionários da EBC farão protesto virtual contra privatização da estatal

EBC - Empresa Brasil de Comunicação - Divulgação/EBC
EBC - Empresa Brasil de Comunicação Imagem: Divulgação/EBC
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

16/03/2021 12h19

Funcionários da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), empresa pública que reúne um conglomerado de mídia no país, estão organizando um protesto virtual na tarde desta terça-feira (16) contra a inclusão da estatal no Programa Nacional de Desestatização (PND). A ideia é fazer um "tuitaço" com a hashtag #NaoPrivatizaEBC.

"Embora o movimento ainda envolva estudos sobre possíveis formas de privatização da empresa, é um passo perigoso rumo à destruição da estatal", dizem os trabalhadores em carta pública.

O presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral chegou a defender a extinção da EBC, mas depois reconheceu que o grande número de funcionários concursados era um empecilho para a cumprir a promessa.

Bolsonaro tem reunião na tarde desta terça-feira (16) com ministros do Conselho do PPI (Programa de Parceiras e Investimentos), para definir a futuro da EBC.

Por conta da reunião, funcionários divulgaram uma carta pública em que buscam justificar que o orçamento de R$ 550 milhões por ano é compatível com o tamanho da empresa.

"Não se mantém uma empresa que tem duas TVs, oito rádios, duas agências nacionais, produz conteúdo e presta serviços ao governo federal sem recursos. Tampouco se faz comunicação sem pessoas", diz o documento.

Prejuízo?

Recentemente, o ministro Fábio Faria (Comunicações) se envolveu em uma discussão nas redes sociais e afirmou que havia dificuldades em encontrar um comprador para a empresa. Provocado sobre quando cumpriria a promessa de Bolsonaro de fechar a empresa, o ministro respondeu: "Quando ela tiver condições de ter algum comprador! Ou se o lacrador conseguir algum 'player' que pague algum valor numa TV que deixa 550 milhões de prejuízo por ano!"

Os funcionários rebatem a versão de prejuízo e dizem que a EBC é uma empresa pública dependente, e não autossuficiente como Correios ou Banco do Brasil.

"Embora ela consiga arrecadar recursos com patrocínios e prestação de serviços, suas fontes de financiamento não servem e nunca servirão para torná-la autônoma, já que ela não deve se tornar refém do próprio mercado para garantir ainda mais sua autonomia", dizem os funcionários. "Assim como ministérios e universidades não dão "prejuízo", a EBC (assim como outras estatais dependentes, como Embrapa) também não dá".

TV do Lula?

Em 2007, a EBC começou a ser chamada de "TV do Lula", após passar por uma reformulação.

No governo Bolsonaro, coube a ala militar tentar demover o presidente da ideia de extinguir a estatal e incluí-la no PPI para atrair recursos externos para a empresa.

Na carta em que reclamam do futuro da empresa, os funcionários afirmam que a desde o nascimento, em 2007, a TV Brasil e a EBC são alvos de intensas campanhas negativas e, mais recentemente, pela sua privatização e destacam que sua criação sempre esteve prevista na Constituição.

"A comunicação pública não é uma invenção brasileira, mas, ao contrário, é realidade na grande maioria dos países do mundo", afirmam.

"Enquanto alguns segmentos buscam atacar a existência deste serviço, outros países com democracias consolidadas (até mesmo de caráter bastante liberal) entendem e estimulam o papel da comunicação pública para atender ao direito à informação dos cidadãos, investir em conteúdos sem apelo comercial e pautar temas de interesse público", dizem os funcionários.