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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pazuello diz ao Exército que não vai para a reserva antes do fim da CPI

20.mai.2021 - O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante 2º depoimento à CPI da Covid - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
20.mai.2021 - O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante 2º depoimento à CPI da Covid Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

26/05/2021 20h11Atualizada em 26/05/2021 20h23

Membros do Alto Comando e o próprio comandante do Exército, general Paulo Sérgio, tentaram usar de persuasão para convencer o general Eduardo Pazuello de que ele deveria ir para a reserva.

O objetivo era encerrar os inúmeros danos que Pazuello tem causado à imagem da Força e, ao mesmo tempo, tirar a pressão em cima de uma punição rigorosa por sua participação em um ato político com o presidente Jair Bolsonaro no último domingo.

A tentativa de convencimento, relataram militares da ativa envolvidos no processo, não prosperou.

"Não houve ameaça do tipo: 'podemos te prender se você não fizer isso'. Ele é um oficial-general, o Exército não trabalha assim. Nós fizemos o que pudemos e ele não quer", afirmou um integrante do Alto Comando.

Pazuello disse aos colegas que pretende responder no prazo o formulário de procedimento disciplinar, que daria suas razões para estar no ato de domingo, mas que não poderia agora ir para a reserva, já que foi mais uma vez convocado pela CPI da Covid para depor.

Segundo relatos feitos ao UOL, Pazuello afirmou que se sente mais seguro ao estar respaldado pelo cargo de general da ativa para enfrentar os senadores. Na véspera do seu primeiro depoimento, inclusive, chegou a cogitar ir fardado, o que foi repreendido pelos colegas de farda.

Para alguns generais, o fato de Pazuello atrelar a sua permanência à duração da CPI abre a possibilidade (e mantém a expectativa) de que o general possa finalmente deixar os quadros do Exército quando os trabalhos no Senado forem encerrados.

Punição em estudo

Apesar de terem que aceitar a permanência de Pazuello, militares continuam defendendo que haja uma "punição exemplar" para inibir carta-branca aos "soldados, tenentes e coronéis" de participarem de atos políticos.

O Comandante Paulo Sérgio tem pregado cautela, entoado o mantra de que é preciso conceder o amplo direito de defesa ao general, mas avisa que não faltará com sua autoridade.

Isso, na avaliação dos generais, significa algum tipo de punição, já que "é público e notório" que Pazuello cometeu uma infração.

Comandante versus Bolsonaro?

No Ministério da Defesa e no Exército há uma operação para tentar evitar um conflito direto com o presidente Jair Bolsonaro, a ponto que possa existir algum tipo de racha na instituição.

Militares ouvidos pela coluna questionam se haveria mesmo a possibilidade de Bolsonaro revogar o ato de punição a Pazuello. Isso porque o caso em questão, pelo Regulamento Disciplinar, se esgota no âmbito militar.

Um desses generais citou o Artigo 54 do Regime Disciplinar do Exército (RDE) que diz que os recursos de uma eventual punição se encerram no Comandante do Exército.

"Poderia haver interferência, digamos, subjetiva. Mas não direta, pois não há respaldo regulamentar para uma suposta proibição de punir. A única saída para tal seria exonerar os responsáveis pela aplicação da regra disciplinar", afirmou um general da reserva, que despacha no Planalto.

Apesar disso, há o receio de uma interpretação distinta e de Bolsonaro acabar desmoralizando ainda mais a instituição ao vetar uma punição feita pelo Comandante.