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Carla Araújo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro quer atenção da imprensa, mas não quer questionamentos

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

29/07/2021 14h40

O presidente Jair Bolsonaro vem anunciando há alguns dias que apresentará nesta quinta-feira (29), durante sua live semanal, as supostas fraudes nas urnas eletrônicas. Não é de hoje que o presidente tenta criar um clima de instabilidade em torno do pleito do ano que vem.

Agora, porém, o presidente foi além e decidiu convidar a imprensa para acompanhar sua exposição. Para isso, no entanto, quer impor algumas condições.

"O evento será expositivo e não haverá espaço para perguntas", diz o aviso da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência, que faz outra suposta exigência: "O acesso, por credenciamento, será garantido aos veículos de comunicação que irão transmitir, AO VIVO, o evento".

Como o presidente pode obrigar que as TVs parem sua programação para transmitirem na íntegra suas falas?

Não, ele não pode. E provavelmente não terá sucesso em sua iniciativa.

O presidente poderia se contentar em falar apenas com seus apoiadores na porta do Alvorada, mas ele quer também convencer a outra parte do eleitorado que o sistema brasileiro não é seguro.

Bolsonaro está acuado, com popularidade em baixa e atrás de seu principal adversário, o ex-presidente Lula, nas pesquisas de intenção de votos.

Criar suspeitas em torno do sistema eleitoral tem sido a sua principal arma. Não à toa convocou o Ministro da Justiça, Anderson Torres, para a sua live de hoje.

"Estarei Círculo vermelho AO VIVO hoje, Despertador às 19h, na tradicional live das quintas-feiras comandada pelo presidente", escreveu o ministro no Twitter.

O presidente quer a atenção de imprensa, quer espalhar a sua narrativa e não ser questionado sobre nada. Diz fazer tudo isso, ironicamente, em defesa da democracia.

Desde a adoção das urnas eletrônicas no Brasil, em 1996, nunca houve comprovação de fraude nas eleições. Essa constatação foi feita não apenas por auditorias realizadas pelo TSE, mas também por investigações do MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos independentes.

Além disso, as urnas eletrônicas são auditáveis e este procedimento é feito durante a votação.

Contra-ataque

Ontem, em resposta a afirmações do presidente, o STF (Supremo Tribunal Federal) divulgou um vídeo em que reafirmou que a corte não impediu o governo federal de agir no enfrentamento da covid-19.

"O STF não proibiu o governo federal de agir na pandemia! Uma mentira contada mil vezes não vira verdade!", afirmou no Twitter.

Bolsonaro repete com frequência que foi impedido de agir contra a covid-19 em razão de uma decisão do Supremo.

Desta vez, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já está com equipe pronta para rebater as acusações que o presidente fará em relação às urnas.

O ano de 2022 já começou.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL