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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ministro sugere que caminhoneiros se reinventem e busquem soluções na crise

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/10/2021 16h50Atualizada em 27/10/2021 18h50

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, usou um exemplo pessoal, da sua época de militar, para dizer que os caminhoneiros precisam se organizar melhor em busca de soluções para a situação de dificuldade vivida pela categoria, com os sucessivos aumentos dos combustíveis, e sugeriu que autônomos busquem outras formas de trabalhar. Os motoristas marcaram uma greve para 1º de novembro.

"São coisas nas quais uma hora você para para pensar. Quando achei que estava ganhando mal no Exército, eu sai do Exército", afirmou o ministro, que é formado em engenharia de construção pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

O ministro disse não acreditar numa paralisação de grandes proporções e afirmou que o governo tem dialogado com a categoria em busca de soluções. Para ele, no entanto, o principal problema é a falta de organização dos próprios caminhoneiros, que reclamam da alta do diesel, mas não repassam o aumento do combustível para o frete, por exemplo.

"Eles precisam aprender a gerir o negócio deles. Pegar como exemplo setores mais organizados, como os tanqueiros", disse, sugerindo também a formação de cooperativas em busca de preços mais baixos para pneus e combustíveis, por exemplo.

Para demonstrar que o mercado está aquecido e que há outras formas de trabalhar, o ministro chegou a dar como uma saída a busca por empresas privadas.

Se o cara não perceber que ele tem que se planejar para ser inserido no mercado, ele vai ter problemas. Tem coisas que o cara tem que pensar. Por exemplo, está sobrando vaga para contratação em empresas de transporte, mas o cara quer ser autônomo tendo prejuízo, em vez de ser empregado de uma empresa ganhando R$ 4.000, R$ 5.000.
Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura

Freitas disse ainda que as empresas de transporte estão ficando cada vez maiores, ganhando escala e competitividade, com a oferta de seguro, por exemplo.

O autônomo tem que ter alguma vantagem competitiva para ele ser contratado. Se a turma não se reinventar, desaparece.
Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura

'Não é chamando greve que você vai pressionar'

Após participar de um evento, em Brasília, promovido pela Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, o ministro afirmou ainda que não há nada que o governo possa fazer de imediato para os caminhoneiros.

Não acredito em greve para resolver problema, principalmente quando tem a porta do diálogo aberta. Não é chamando greve que você vai pressionar, porque a greve tem baixa efetividade. O que você vai conseguir com a greve é só ficar vários dias parado perdendo dinheiro.
Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura

Tarcísio disse ainda que conversou com o presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Vander Costa, ontem, e que a entidade - que é patronal, ou seja, de empresas - ressaltou que não há interesse em aderir à paralisação.

"As empresas estão focadas em trabalhar. Tem trabalho, o mercado está aquecido, a construção civil e o agronegócio estão 'bombando'. É por isso que boa parte [dos caminhoneiros] não quer saber de parar. É hora de botar renda em casa", disse, descartando possibilidade de locaute como ocorreu na greve de 2018.

O locaute é ilegal e ocorre quando empresários se apropriam de ações de trabalhadores para atender aos seus interesses comerciais.

"Mais de dois terços do transporte hoje são de empresas, elas não querem parar, então tendo rodovia desbloqueada não vai ter nada [de greve]", afirmou.

Freitas disse que tem mantido diálogo também com caminhoneiros autônomos e que busca explicar a eles que o governo tem tomado medidas para a categoria, mas que "não há soluções simples para problemas complexos".

"O mundo inteiro está pressionado com combustível. Qual a saída? Eu não sei, estamos quebrando a cabeça", disse. "Eu não tenho soluções, queria ter, seria bom para caramba, mas eu não tenho", afirmou.

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