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Bolsa reduz taxa para Tesouro Direto; veja quanto rendem R$ 10 mil agora

Vinícius Silva

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/10/2021 04h00

A B3 anunciou na última semana que reduzirá a taxa de custódia cobrada de investidores que aplicam no Tesouro Direto. A partir de janeiro de 2022, o percentual passará dos atuais 0,25% ao ano para 0,20% ao ano para quem possui mais de R$ 10 mil investidos no produto. Lembrando que, para investimentos abaixo de R$ 10 mil no Tesouro, não há cobrança de taxa.

A taxa anual é dividida por dois e cobrada semestralmente, nos primeiros dias de julho ou janeiro, no pagamento de juros, na venda ou no encerramento da posição do investidor, sendo que a forma de cobrança é definida pelo evento que acontecer primeiro, segundo a B3.

O UOL pediu a Marcelo Milech, planejador financeiro pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), uma simulação de quanto a redução da taxa deve impactar no rendimento líquido de cada título do Tesouro Direto, considerando um investimento de R$ 10 mil e levado até o vencimento. Segundo ele, a diferença pode chegar a quase R$ 2.500 líquidos. Veja abaixo a simulação.

Rendimento líquido de cada título

Confira abaixo o rendimento líquido de cada título disponível para o investidor, considerando a taxa atual, de 0,25% ao ano, segundo Milech. A simulação considerou o rendimento oferecido pelos títulos no dia 21 de outubro.

Tesouro Selic 2024 - R$ 11.987,10
Tesouro Selic 2027 - R$ 14.178,93
Tesouro Prefixado 2024 - R$ 12.789,96
Tesouro Prefixado 2026 - R$ 14.781,09
Tesouro Prefixado com juros semestrais 2031 - R$ 23.901,23
Tesouro IPCA+ 2026 - R$ 15.046,26
Tesouro IPCA+ 2035 - R$ 33.969,95
Tesouro IPCA+ 2045 - R$ 88.923,82
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2030 - R$ 20.844,43
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040 - R$ 48.524,70
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055 - R$ 172.014,22

Agora veja o rendimento líquido com a nova taxa, de 0,20% ao ano, e a diferença de rendimento em relação aos valores acima. Veja que, quanto maior o prazo, maior a diferença.

Tesouro Selic 2024 - R$ 12.000,23 (diferença de +R$ 13,13)
Tesouro Selic 2027 - R$ 14.210,70 (+R$ 31,77)
Tesouro Prefixado 2024 - R$ 12.804,09 (+R$ 14,14)
Tesouro Prefixado 2026 - R$ 14.807,71 (+R$ 26,62)
Tesouro Prefixado com juros semestrais 2031 - R$ 23.933,11 (+R$ 91,88)
Tesouro IPCA+ 2026 - R$ 15.076,81 (+R$ 30,55)
Tesouro IPCA+ 2035 - R$ 34.190,11 (+R$ 220,16)
Tesouro IPCA+ 2045 - R$ 89.958,38 (+R$ 1.034,46)
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2030 - R$ 20.920,00 (+ R$ 75,57)
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040 - R$ 48.909,80 (+R$ 385,09)
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055 - R$ 174.497,67 (+R$ 2.483,45)

Para quem serve os títulos públicos?

De acordo com Karina Garbes, economista do App Renda Fixa, muitas pessoas buscam os títulos públicos para atingir os seus projetos de vida já que esta categoria de ativo possui um risco extremamente baixo.

Para quem busca formar uma reserva de emergência ou pensa em gastar o dinheiro em um período de até três anos, a economista indica o Tesouro Selic, porque ele tem rentabilidade diária e, mesmo que o investidor tire o dinheiro antes do vencimento, ele não perde rentabilidade.

"É mais interessante conseguir aproveitar essa alta prevista na taxa de juros (Selic) investindo em um título pós-fixado como o Tesouro Selic. O Tesouro Selic não só aproveitará esse aumento na taxa de juros como também permitirá alta liquidez ao investidor. Quando juntamos liquidez e segurança atreladas a uma tendência de alta na taxa de juros, temos uma excelente opção para quem também quer realizar a sua reserva de emergência", afirma.

Os títulos prefixados também são indicados agora, porque já pagam taxas acima de 10%. Contudo, quem investe em um prefixado está apostando em uma queda na taxa básica de juros. É que os prefixados ficam mais vantajosos quando as taxas que eles oferecem são maiores que a Selic e quando a taxa básica de juros está em uma trajetória de queda.

Por isso, quem deseja comprar esse tipo de título deve ficar atento ao andamento da Selic.

"Se você tem uma expectativa de Selic mais baixa no futuro, você pode tentar travar um rendimento alto no prefixado", afirma Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos.

Já quem pensa em comprar um imóvel no futuro ou já mira a aposentadoria, os títulos mais indicados são os atrelados à inflação, que poderão manter o poder de compra no futuro mesmo com a alta dos preços.

"Para a aposentadoria, pensando em longo prazo, faz sentido ter o Tesouro IPCA com vencimento mais longo. Quando você compra seu título, você preserva seu poder de compra e há uma taxa extra, chamada de juro real. Então, a pessoa chegaria à aposentadoria sem perder o poder de compra", afirma Komura.

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