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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Auditores da Receita da área de combate à sonegação também entregam cargos

Superintendência da Receita Federal, em Brasília - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Superintendência da Receita Federal, em Brasília Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

23/12/2021 17h51

Os auditores fiscais da Receita Federal da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação (Copei), área de inteligência que atua no combate à sonegação, lavagem de dinheiro e crimes financeiros, também entregaram seus cargos nesta quinta-feira (23).

Em uma carta pública, assinada por 17 auditores da Copei, os funcionários do órgão afirmam que "há momentos que requerem ações visando resultados mediatos, que se sobrepujam ao compromisso com potenciais resultados imediatos".

"Não podemos e tampouco nos furtaremos à luta, quando nossa Instituição sofre o presente aviltamento através do corte dos recursos necessários ao seu funcionamento. Funcionamento cujo resultado é a garantia da arrecadação necessária à atuação do próprio Estado", dizem.

No documento, os auditores afirmam ainda que a solicitação "se deve ao descaso demonstrado pelo atual governo ao tratar da pauta remuneratória da categoria, descumprindo o compromisso assumido para instituir a regulamentação do bônus de eficiência, atrasada e aguardada há cinco anos".

"Considerando o exposto, entendemos que a situação atual se mostra incompatível com o empenho no exercício de nossas funções. Assim, solicitamos nossa exoneração do cargo ou função que ocupamos, com efeitos imediatos", finalizam.

somam mais de 635 o número de auditores da Receita Federal que entregaram cargos de chefia no órgão, segundo o Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal). As exoneração na Copei estão incluídas neste balanço.

Os servidores protestam contra cortes no Orçamento da Receita para 2022, reclamam da falta de regulamentação de um bônus e acusam o governo e o Congresso de tirar dinheiro da Receita para dar aumento de salário a policiais.

O total de renúncias inclui 44 servidores que deixaram suas funções de conselheiros do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão da Receita que funciona como uma espécie de "tribunal", responsável por julgar processos relacionados a questões tributárias e aduaneiras.

O Sindifisco está realizando uma série de assembleias ao longo desta quinta-feira para deliberar sobre uma possibilidade de greve no órgão. O resultado das convenções deve ser divulgado ainda hoje.

A Receita tem 7.500 auditores e 5.500 analistas. Destes, 2.000 ocupam cargos de chefia. Ou seja, mais de 30% dos chefes entregaram os cargos.

Guedes avisou Bolsonaro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, avisou ao presidente Jair Bolsonaro que o aumento apenas para policiais federais geraria um efeito cascata de insatisfação entre os servidores públicos, especialmente na Receita Federal.

Bolsonaro atuou diretamente para conseguir dinheiro no Orçamento para as forças de segurança, categoria que é uma de suas bases de apoio eleitoral. Na terça-feira (21), o Congresso aprovou o relatório final do Orçamento de 2022, incluindo a previsão de R$ 1,7 bilhão para reajustes a policiais federais.

Ao lutar pelo reajuste dos policiais federais, Bolsonaro deixou de lado aproximadamente 1 milhão de servidores ativos, aposentados e pensionistas que estão com a remuneração congelada há cinco anos.

Outras categorias protestam

Além dos servidores da Receita, funcionários do Banco Central, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e peritos médicos também disseram publicamente estar insatisfeitos.

O Sindicato Nacional dos Servidores do Ipea divulgou nota em que afirma que fez reuniões com a presidência do órgão para "chamar a atenção para a corrosão do poder de compra dos salários" dos funcionários, que não têm reajuste desde janeiro de 2019. O texto afirma que a decisão de conceder o reajuste apenas para os policiais é uma tentativa do governo de "criar um clima de confronto em pleno ano eleitoral".

A Associação Nacional dos Médicos Peritos também divulgou nota repudiando o reajuste apenas a policiais. O texto classifica a exclusão de servidores da recomposição salarial como uma "atrocidade".

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