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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Itamaraty avalia enviar dois aviões da FAB para resgate de brasileiros

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Com Weudson Ribeiro*, de Brasília

25/02/2022 17h36

O governo brasileiro quer enviar aviões para ajudar no resgate de brasileiros que estão na Ucrânia.

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa estão em contato com o Comando da Aeronáutica desde a manhã desta sexta-feira (25) estudando as possibilidades para realizar uma operação em segurança.

Segundo fontes ligadas ao gabinete do ministro Carlos França, há a possibilidade de a FAB (Força Aérea Brasileira) ceder para a operação duas aeronaves KC-390.

Esse tipo de aeronave tem uma capacidade máxima de carga de 26 toneladas e voa mais rápido, mais alto que outros modelos da frota brasileira.

Em comunicado divulgado no Facebook e no Telegram pouco antes das 20h no horário local (15h pelo horário de Brasília), a Embaixada do Brasil na Ucrânia alertou sobre a partida de um trem saindo de Kiev, capital ucraniana, às 22h de hoje (17h pelo horário de Brasília) com destino a Chernivtsi, no oeste do país.

De lá, os brasileiros poderão seguir até a fronteira com a Romênia.

8 diplomatas devem colaborar, diz Aécio

Em contato com o UOL, o presidente da Comissão de Relações Exteriores na Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que oito de diplomatas brasileiros devem ir para a Ucrânia.

"Eles vão ajudar a organizar a evacuação dos brasileiros do solo ucraniano", disse. "É um gesto digno de elogio."

De acordo com o Aécio, o Itamaraty negocia com o governo de Kiev para que os brasileiros possam deixar o país por vias rodoviárias.

"Conversei com o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, e ele informou que há um grupo grande de brasileiros em Kiev, mas não há segurança nas ruas para que eles possam seguir com segurança de ônibus em direção à Romênia", disse o congressista.

Ouça a mensagem, enviada com exclusividade para o UOL, em que o deputado detalha quais medidas têm sido tomadas pelo governo federal no processo de retirada de brasileiros da Ucrânia.

A Comissão de Relações Exteriores informou que entre 50 e 70 brasileiros devem deixar Kiev rumo à Romênia. Segundo fontes do governo, ainda não está definido onde de fato acontecerá o resgate dos brasileiros.

"Não é necessário comprar bilhetes [para o trem]. A chefia da estação buscará atender os cidadãos brasileiros e latino-americanos", informou.

O órgão ainda alertou para outros eventuais problemas, como falta de hospedagem, transporte para fronteira e longas filas na imigração após a chegada ao oeste ucraniano.

Embaixada mudou tom

A Embaixada do Brasil na Ucrânia mudou o tom nas orientações e intensificou o alerta aos cerca de 500 brasileiros em território ucraniano nesta sexta-feira.

"A situação de segurança e de disponibilidade de transporte na cidade é instável e sujeita a mudanças repentinas, de modo que não é possível garantir a partida ou lugares suficientes. Prioridade deverá ser dada a mulheres, crianças e idosos", disse o órgão.

O órgão diplomático passou a considerar "instável e imprevisível" a situação no país europeu e organiza uma possível retirada de cidadãos para a Romênia.

"A embaixada terá condições mínimas de prestar ajuda durante o trajeto até a fronteira com a Romênia, embora esteja sendo negociada a possibilidade de que o Conselho Regional de Chernivtsi ofereça transporte até a fronteira", comunicou.

*Reportagem adicional de Weudson Ribeiro, em colaboração para o UOL, em Brasília.