PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Efeito eleitoral do Auxílio Brasil para Bolsonaro passou, diz Flávio Dino

Governador do Maranhão, Flávio Dino, no UOL News - UOL
Governador do Maranhão, Flávio Dino, no UOL News Imagem: UOL
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

13/05/2022 04h00

O ex-governador, Flávio Dino (PSB), que vai ajudar na articulação da campanha do ex-presidente Lula (PT) no Maranhão, acredita que o efeito do aumento do Auxílio Brasil para R$ 400 já foi assimilado pela população do Nordeste e não deve mais ter efeito positivo para as intenções de voto no presidente Jair Bolsonaro (PL)

A avaliação de Dino é que o aumento do benefício pode ter tido algum impacto positivo para Bolsonaro, mas que não será sustentável por conta do cenário de inflação em alta.

"O aumento para R$ 400 já foi assimilado e ele conseguiu melhorar um pouco a posição dele no Nordeste sobretudo por isso, mas ele dá com uma mão e tira com a outra. O povo sente o preço da comida, da gasolina", disse à coluna.

Segundo Dino, as possibilidades de Bolsonaro conseguir uma "virada espetacular" no Nordeste em relação a Lula são muito remotas. "Ele não tem bala de prata. O que tinha que sair (de reação) já saiu", afirmou.

Para o ex-governador, o que vai restar ao atual presidente será continuar a falar com os segmentos mais extremistas, numa repetição da agenda de campanha de 2018.

"E eu não acredito que truque velho vá funcionar, porque hoje a demanda é outra. A pauta principal vai ser a economia", disse.

O ex-governador também acredita que durante a campanha a atuação de Bolsonaro na pandemia será alvo de críticas. "Ele tem falado na luta do bem contra o mal. E é. Ele é o presidente que riu das pessoas que estavam morrendo com falta de ar".

Campanha plural

Dino, que vai concorrer a uma vaga ao Senado, disse que a participação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) na campanha como vice de Lula será importante para reforçar a ideia de uma frente ampla para proteger a democracia e também para dar mais peso à gestão econômica.

Segundo ele, que terá um papel mais estadual na campanha de Lula, a ideia é construir um conselho político para que os principais temas sejam debatidos entre os partidos.

"O PSB aprovou o apoio ao Lula e a tendência, e o que nós esperamos, é que o partido seja ouvido cotidianamente", afirmou.

Para Dino, o programa de governo de Lula tem que ser amplo, com um "modelo de desenvolvimento capaz de gerar prosperidade e a redução das desigualdades".

Revisão trabalhista

Lula e outros integrantes da campanha têm dado declarações a respeito da revogação da reforma trabalhista. Para Dino, o certo é incluir no programa de governo do petista que haverá uma "revisão".

"Foi uma reforma ampla, tem pontos que podem ser aproveitados, mas com a precarização não podemos concordar", disse.