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Crise faz mais gente trabalhar por conta própria e reduz a renda, diz IBGE

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

A crise econômica que atinge o país diminuiu a oferta e a qualidade do emprego em 2015 e fez aumentar a quantidade de brasileiros que trabalham por conta própria, na informalidade. O número passou de 21,3 milhões, em 2014, para 22,2 milhões, em 2015, uma alta de 4,4%.

Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua e foram divulgados nesta terça-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa é feita em 211.344 domicílios, em cerca de 3.500 cidades brasileiras.

"Houve migração do emprego de forma geral, com e sem carteira, para o trabalho por conta própria", disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. "Esses novos postos têm renda mais baixa e qualidade de emprego inferior ao emprego com carteira assinada."

Salário cai de forma 'significativa'

O rendimento (ou salário) médio dos trabalhadores em 2015, descontando o efeito da inflação, foi de R$ 1.944. A mudança foi pequena em relação a 2014, quando havia sido de R$ 1.947.

Porém, para o coordenador do IBGE, essa redução é "significativa" porque o trabalho informal, em crescimento, não oferece as mesmas garantias e benefícios que o emprego com carteira assinada. 

"Por exemplo, você tem mais trabalhadores por conta própria, com menos garantias e rendimento mais baixo. E por outro lado, você tem mais trabalhadores domésticos retornando ao mercado de trabalho e se vendo na necessidade de negociar um salário mais baixo que antes", afirma.

De volta ao mercado, numa hora ruim

Outro efeito da crise econômica, segundo Azeredo, é que pessoas que não estavam trabalhando passaram a procurar emprego para tentar ajudar na renda familiar. Como o mercado de trabalho "já está saturado", elas entram na fila do desemprego.

"Pessoas que estavam fora do mercado de trabalho entram na fila da desocupação", disse. 

O instituto considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados.

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