Só para assinantesAssine UOL

Gol (GOLL4): após pedido de recuperação judicial, membros renunciam ao conselho

Em comunicado ao mercado na quinta-feira (25), a Gol (GOLL4) informou que Richard Lark e Joaquim Constantino Neto renunciaram ao conselho de administração.

Assim, segundo a Gol, Timothy Robert Coleman e Paul Stewart Aronzon assumirão os cargos.

Ainda de acordo com a companhia aérea, Joaquim Constantino Neto também acumulava a posição de vice-presidente do conselho, cargo que será ocupado por Ricardo Constantino.

Em fato relevante na quinta, a Gol informou que pediu oficialmente recuperação judicial nos Estados Unidos, em procedimento chamado de Chapter 11.

As ações da companhia chegaram a ter as negociações interrompidas na B3 e entraram em leilão, ficando 30 minutos suspensas.

Os papéis fecharam em queda de 3,16%, a R$ 6,44, maior recuo do pregão de ontem.

No comunicado da Gol, a companhia ainda acrescenta que "assegurou US$ 950 milhões em financiamento para apoiar os negócios".

O processo de recuperação judicial da Gol protocolado nos EUA inicia com um compromisso de financiamento de US$ 950 milhões, na modalidade debtor in possession ("DIP") por membros do Grupo Ad Hoc de Bondholders da Abra - holding que controla a Gol - e outros detentores de bonds da Abra.

"A Companhia buscará acesso a esse financiamento como parte da audiência do Primeiro Dia com o Tribunal dos EUA, prevista para os próximos dias. O financiamento está sujeito à aprovação judicial e, juntamente com o caixa gerado pelas operações em curso, fornecerá liquidez substancial para apoiar as operações, que seguem normalmente, durante o processo de reestruturação financeira", diz a companhia.

Continua após a publicidade

Em seu comunicado, a companhia ainda ressalta que apesar do pedido de recuperação judicial, os voos de passageiros da Gol, os voos de carga da GOLLOG, o programa de fidelidade Smiles e outras operações da companhia continuam normalmente.

Gol (GOLL4) cria comitê independente e dá 'primeiro passo' em recuperação judicial

A Gol, logo após pedir recuperação judicial nos EUA, criou um Comitê Especial Independente. A decisão foi comunicada na noite da quinta-feira (25), em documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Conforme detalhado pela companhia, o Comitê da Gol é composto por três membros: Marcela de Paiva Bonfim Teixeira, Timothy Robert Coleman e Paul Stewart Aronzon, todos conselheiros independentes da empresa.

"O Comitê atuará como um órgão consultivo do Conselho de Administração, com poderes e autoridade para avaliar, revisar, planejar, supervisionar negociações e apresentar recomendações ao Conselho de Administração sobre quaisquer assuntos decorrentes ou relacionados aos procedimentos do Chapter 11", diz o comunicado.

Além disso, a Gol nomeou Joseph Wilfred Bliley IV para o cargo de Diretor de Reestruturação (Chief Restructuring Officer).

Continua após a publicidade

CEO da Gol: Expectativa é de que reestruturação dure menos do que o de cias aéreas da AL

CEO da Gol, Celso Ferrer, não deu prazo esperado pela companhia para concluir o processo do Chapter 11, mas disse acreditar que dure "significativamente menos" do que o de outras companhias aéreas da América Latina.

A Latam e Avianca, por exemplo, demoraram cerca de dois anos. Ferrer avaliou o processo de reestruturação das duas empresas como bem sucedido, mas avalia que o momento atual é mais favorável para a Gol. "Não estamos em uma pandemia, é um cenário de demanda consistente", afirmou.

Para Ferrer, a operação da Gol é mais simples, com apenas um tipo de aeronave, o que deve também contribuir para agilizar a conclusão do Chapter 11. O executivo também avalia que o fato de a empresa ter feito dois rounds de negociação com lessores )arrendadores de aeronaves) em 2023 deve também garantir que essas conversas sejam concluídas com sucesso em pouco tempo.

O CEO da Gol não quis comentar os termos da negociação do Chapter 11. Ele apenas afirmou que o objetivo é melhorar a estrutura de caixa da companhia, diminuindo a alavancagem e mantendo as operações normalmente.

Negociação com 'lessores' está evoluindo

O executivo também disse que perto de metade da dívida da Gol, de R$ 20 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2023, é detida por 25 lessores - os arrendadores de aeronaves. "A negociação com lessores está evoluindo, e em diferentes estágios, alguns estão nos apoiando muito", disse em entrevista à imprensa no início da noite de hoje, citando que o processo de renovação de frota da companhia aérea continua e a Gol está recebendo um novo avião agora.

Continua após a publicidade

Normalmente, a negociação com os lessores é a que demora mais em processos de reestruturação de dívidas do setor aéreo, por conta dos altos valores envolvidos. A Gol iniciou a primeira rodada de negociação com lessores em junho de 2023 e outra rodada de reuniões ocorreu em outubro. "Os lessores conhecem a nossa pauta, eles sabem o que precisamos endereçar", disse Ferrer.

"Acordos com lessores devem ser assinados de uma maneira acelerada", disse o CEO da Gol, explicando que o contexto agora é de menor incerteza do que no passado recente. "Nossa previsão é de que o trabalho demore substancialmente menos do que outros processo mais recentes na América Latina."

Como os lessores estão situados no exterior, principalmente nos Estados Unidos, a companhia aérea brasileira optou por pedir a proteção judicial para reestruturar a dívida na Corte de Nova York. "Vamos utilizar o sistema judicial dos Estados Unidos para facilitar a reestruturação."

O executivo disse que a Gol analisou outros casos de empresas aéreas que pediram proteção judicial nos EUA e observou que todas saíram "bastante fortalecidas" desse processo. "O processo de Chapter 11 já foi muito testado no setor de aviação." Ferrer citou exemplos de sucesso do processo, como a Avianca Colômbia, Latam e Aeromexico na América Latina, além de outras como a Delta e American Airlines nos Estados Unidos.

Ministério diz que acompanha reestruturação da Gol em busca manutenção de serviços

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) divulgou nota nesta quinta, 25, em que afirma estar acompanhando o plano de reestruturação apresentado hoje pela companhia aérea Gol e que está trabalhando junto à empresa e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para garantir a manutenção dos serviços prestados à população.

Continua após a publicidade

No nota, o MPor diz que a pandemia do Covid-19 impactou fortemente o setor aéreo em todo o mundo, o que exigiu a adoção de medidas de apoio, de governos de diversos países, para atenuar o prejuízo causado às empresas aéreas. "Infelizmente, no Brasil, estas medidas não foram adotadas na gestão anterior, mesmo com a existência de recursos no Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac)", afirma.

A pasta diz que a expectativa é de que, assim como aconteceu com outras grandes empresas aéreas no mundo que entraram no Chapter 11 (Latam, Delta, United, Aeroméxico etc), espera que o Plano de reestruturação da Gol fortaleça a empresa, aumentando cada vez mais sua capacidade de investimentos para melhor atender a população.

Pacote de medidas

O governo federal promete, desde meados de novembro do ano passado, um pacote de medidas conjuntas com as aéreas para reduzir o preço das passagens. Por parte das companhias, foi anunciado em dezembro maior volume de promoções e disponibilidade de passagens. Já a contrapartida do governo ainda não é oficialmente conhecida.

A expectativa, contudo, a partir de declarações do ministro Silvio Costa Filho, é de que o governo atue em medidas para reduzir o preço do querosene de aviação (QAV) e nas mudanças sobre o uso do Fnac, além da criação de um fundo próprio para as companhias. Ele também fala sobre a necessidade de encarar a judicialização que afeta o setor, com alto volume de indenizações principalmente por atraso de voos.

À imprensa no início desta semana, Costa Filho optou por não comentar concretamente sobre possíveis medidas do governo para socorrer a Gol O ministro disse, contudo, que tem se reunido com representantes de todas as companhias aéreas e que o Estado irá auxiliá-las como for possível. "Companhias como a Azul e a Gol estão fazendo suas estruturações internas. E, onde o Estado brasileiro puder dar sua contribuição, iremos dar", afirmou.

Continua após a publicidade

O ministro não confirmou uma reunião específica com a Gol para tratar da atual situação da companhia. No entanto, conforme apurado pelo Broadcast, representantes da empresa estiveram na sede do ministério, em Brasília, na terça-feira, 16, justamente em busca de ajuda.

Sobre o risco de a Gol quebrar, o ministro disse que, pelo que se observa com outras companhias ao redor do mundo, entrar em recuperação judicial não representa o fim. "Companhias como a American Airlines, que em algum momento entraram em recuperação, saíram maiores do que entraram", afirmou.

Desempenho das ações de Gol

*Com informações de Estadão Conteúdo

Este material foi elaborado exclusivamente pelo Suno Notícias (sem nenhuma participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo nenhum tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco. Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes

As mais lidas agora