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ANÁLISE

Como sair da poupança com segurança para ver seu dinheiro render mais

Adeus, poupança: Conheça investimentos mais vantajosos que a caderneta - iStock
Adeus, poupança: Conheça investimentos mais vantajosos que a caderneta Imagem: iStock

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/06/2023 04h00

A poupança é um dos produtos mais populares (e queridinhos) entre os brasileiros. Ela é essencial para criar o hábito de investir. Mas é possível fugir dela com segurança e ter rendimentos melhores em outros investimentos.

Veja como sair da poupança e investir em produtos mais vantajosos. No Papo com Especialista, programa ao vivo do UOL, a planejadora financeira Keylla Santos diz que até existe uma certa confusão com o termo poupança. "Quando falamos em guardar dinheiro, logo vem à nossa mente a caderneta de poupança. Mas o ato de poupar é uma coisa, e a caderneta de poupança é um produto de investimento", diz.

Ela fala sobre outros investimentos que são uma alternativa à poupança, com os títulos públicos e até fundos de investimento. "No mercado financeiro existem diversas opções de investimento que vão muito além da poupança", afirma.

Essa é a primeira aula sobre sobre como diversificar sua carteira. Os aulões podem ser vistos ao vivo às quintas-feiras, das 16h às 16h40.

Assinantes do UOL podem reassistir às aulas quantas vezes quiserem. Ao final, os assinantes ainda vão ganhar um guia exclusivo sobre como investir além da poupança. Assine aqui e participe!

Por que a poupança é tão popular?

É vista como um investimento simples e seguro. Muitas vezes é oferecida de forma automática pelo banco no momento em que você abre uma conta corrente. A poupança não demanda muito tempo para entender e começar a investir.

Como uma primeira reserva, a poupança funciona bem. Ela tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). É isenta do Imposto de Renda.

Quando a gente tem pouco conhecimento sobre os outros investimentos, acaba que a poupança passa a ser a primeira --e até a única opção-- exatamente por esse medo de buscar outras opções. Mas saiba que no mercado financeiro existem diversas opções de investimento que vão muito além da poupança.
Keylla Santos, planejadora financeira

Quais as alternativas à poupança

1) Títulos públicos

Ao comprar um título público, você está emprestando dinheiro ao governo. Os títulos públicos são disponibilizados pelo Tesouro Direto e a compra pode ser feita na plataforma do Tesouro Direto ou via corretoras.

Há duas formas de remuneração: prefixada e pós-fixada.

- Prefixada: você conhece a taxa de remuneração do seu dinheiro no período em que ele estiver investido, até o prazo de vencimento.
- Pós-fixada: a remuneração está vinculada a algum índice de referência (taxa Selic ou IPCA), que pode variar ao longo do tempo. O título também paga uma taxa a mais. "Essa variação não significa que seja ruim. Significa que o seu investimento vai acompanhar a dinâmica e as movimentações do cenário econômico", afirma ela.

Cada título tem um valor mínimo para investir e um prazo de vencimento.

Os títulos têm liquidez. Ou seja, é possível resgatar o dinheiro antes do vencimento, negociando o título a qualquer momento. Saiba tudo sobre como investir no Tesouro Direto aqui.

Qual a melhor opção? Vai depender do seu objetivo com o dinheiro e do prazo para manter o dinheiro investido, segundo Keylla. Por exemplo, se seu objetivo for para a reserva financeira, vale buscar investimentos que tenham liquidez diária, como o Selic. Veja aqui como montar sua carteira de investimentos no Tesouro Direto.

Na renda fixa, além de olhar para o prazo, é interessante você entender um pouco como funcionam as taxas de mercado e qual é a expectativa em relação a essas tendências de juros. Como o futuro é incerto, então, é importante avaliar o que é mais vantajoso para o seu cenário.
Keylla Santos, planejadora financeira

2) Títulos privados de bancos

Ao comprar este título, você está emprestando dinheiro para o banco. É uma forma que os bancos têm de captar dinheiro no mercado financeiro para fazer negociações de empréstimo. "O banco capta esse dinheiro a uma taxa de juros mais baixa e empresta para seus clientes a uma taxa de juros mais alta, e ganha nessa diferença", diz Keylla.

Algumas opções desses títulos: CDB (Certificado de Depósitos Bancários), LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).

Os títulos têm diferentes taxas de remuneração, prazos de vencimento e liquidez. "Tudo depende da negociação daquele título", diz ela.

O banco trabalha com o seu dinheiro em negociação de empréstimo, e você recebe uma taxa de remuneração por isso.
Keylla Santos, planejadora financeira

3) Títulos privados de empresas

Ao comprar este título, você está emprestando dinheiro para empresas. Uma das formas de as empresas captarem recursos para a sua atividade é emitindo títulos de dívidas no mercado financeiro.

Algumas opções desses títulos: Debêntures, CRI (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários).

As formas de remuneração são prefixada e pós-fixada.

4) Renda variável

Aqui, você negocia ativos. A rentabilidade é determinada pela diferença entre o preço que você comprou o ativo e o preço pelo qual o vendeu. "Diferente da renda fixa em que você empresta seu dinheiro para o governo, bancos e empresas, na renda variável, você vai negociar ativos: comprar por um determinado preço com a expectativa de vendê-lo em algum momento com lucro", afirma Keylla.

Alguns produtos da renda variável são ações, fundos imobiliários e fundos de investimento.

É possível ter mais lucro por meio de alguns benefícios. Em ações, você pode receber dividendos; em fundos imobiliários, aluguéis dos imóveis ou dívidas do setor.

A renda variável envolve muitas incertezas, porque não é possível prever como será esse ganho no futuro nem se haverá essa valorização ou não. E incertezas são riscos. O risco, então, da possibilidade de o cenário ser diferente daquilo que você estava esperando.
Keylla Santos, planejadora financeira

Antes de sair da poupança e pular para a renda variável, é importante você testar outras opções de investimentos.
Keylla Santos, planejadora financeira

O que considerar antes de investir seu dinheiro fora da poupança?

Não existe o melhor investimento para todo mundo. O que existe é o investimento mais adequado ao seu momento de vida, ao seu perfil, aos seus objetivos.
Keylla Santos, planejadora financeira

Veja alguns fatores importantes para analisar antes de investir:

1 - Liquidez

É importante saber qual o prazo para resgatar o seu dinheiro. No mercado financeiro, existem produtos com liquidez diária (resgate a qualquer momento), com prazo fechado (para receber aquela rentabilidade, você deverá respeitar o prazo determinado; muitas vezes é o prazo de vencimento do título) e com carência (há também um prazo determinado para resgate).

Antes de investir, fique atento a três pontos: data de vencimento, data de carência e liquidez. "Com base nessas informações, confirme se está de acordo com o seu objetivo. Se o seu dinheiro é para o longo prazo, então já dá para travar um pouco mais esse dinheiro", afirma Keylla.

2 - Riscos e garantias

O principal risco é o de crédito. Quando o banco ou a empresa não têm mais condições de te pagar. "Vale olhar a situação financeira e a nota de crédito daquela instituição", diz ela.

Títulos bancários contam com a proteção do FGC. Em caso de quebra da instituição financeira, o FGC protege até o valor de R$ 250 mil por CPF e por instituição, até o máximo de R$ 1 milhão por pessoa.

E como minimizar esses riscos? "Tenha tempo para estudar o produto, definir a sua estratégia de investimento e analisar o ativo em diferentes aspectos, para conseguir ter certa segurança em relação a resultados", declara ela.

É interessante direcionar investimentos em renda variável para objetivos de longo prazo (acima de dez anos). São projetos como a aposentadoria e a liberdade financeira.

Não significa que risco seja ruim. O risco acaba acompanhando o resultado. Quem está disposto a correr mais riscos tem a expectativa de ter uma rentabilidade maior. Mas é importante ficar de olho nos cenários que costumam influenciar o resultado de quem investe em renda variável.
Keylla Santos, planejadora financeira

3 - Custos envolvidos

Alguns produtos, como o CDB, Tesouro Direto e fundos de investimentos, têm cobrança de IR. A cobrança segue a tabela regressiva da renda fixa. "Quando mais tempo você deixa o seu dinheiro investido, menor é a alíquota cobrada sobre o rendimento", afirma Keylla.

Até 6 meses: 22,5%
De 6 meses a 1 ano: 20%
Entre 1 e 2 anos: 17,5%
Acima de 2 anos: 15%

Alguns produtos são isentos do IR. São eles: LCI, LCA e poupança.

4 - Rentabilidade

Na renda fixa, a taxa de crescimento costuma ser, normalmente, comparada com a rentabilidade do índice (Selic e/ou CDI). "A gente usa esses índices como referência, para saber se o rendimento está dentro do esperado", diz.

A gente tem a tendência de olhar, primeiro, para a rentabilidade. Mas, para você fazer um investimento inteligente e com segurança --e conseguir dar esse passo para sair da poupança- -, é importante, antes, olhar esses outros fatores [liquidez, riscos, garantias e custos envolvidos], para saber se estão de acordo com o seu momento de vida, com o seu perfil e seus objetivos.
Keylla Santos, planejadora financeira

Quando buscar esses títulos e sair da poupança?

A poupança pode ser interessante no começo. Não é um investimento que deve ser descartado. "A poupança atende muito bem quando você quer criar uma reserva imediata para cobrir gastos eventuais, como IPTU, IPVA, matrícula escolar, etc. Se for acionar o dinheiro dentro de um ano, a poupança atende", afirma Keylla.

Para outras reservas de médio e longo prazo, vale buscar outras opções de investimentos. "Isso significa que é o momento em que você tem a possibilidade de fazer algumas imobilizações. Ou seja, já é possível deixar esse dinheiro travado por mais tempo, abrindo mão da liquidez imediata", declara.

Se você está nesse momento, seria interessante entender um pouco mais sobre investimentos e mercado financeiro, para conseguir construir essas outras camadas da reserva.
Keylla Santos, planejadora financeira

Fundos de investimentos

É uma forma de investir de forma coletiva e terceirizar a gestão dos produtos para equipe de especialista. Esse gestor é o responsável por escolher os produtos, dentro das categorias definidas, que vão compor a carteira do fundo.

Para participar do fundo, você adquire cotas. Se o fundo tiver lucro ou prejuízo, isso é dividido entre todos os cotistas.

O que considerar na hora de investir em fundos?

Prazos: Qual o prazo para resgate do dinheiro. O prazo pode ser apresentado como D+0, D+1, D+30 (demora 30 dias até o dinheiro ser disponibilizado na sua conta corrente).

Custos envolvidos: O fundo pode cobrar a taxa de administração e a taxa de performance. Também é cobrado o Imposto de Renda, através do come-cotas (que é uma antecipação do IR). O come-cotas incide somente sobre o lucro e é cobrado automaticamente nos meses de maio e novembro. Depois, no momento do resgate, será cobrada a diferença conforme a tabela regressiva de renda fixa. Alguns fundos não cobram no formato come-cotas.

Riscos: Isso depende de quais ativos compõem a sua carteira. Se for um fundo de ações, é o risco das ações; se for um fundo de renda fixa, são os riscos dos produtos de renda fixa. Os fundos de investimento não têm a garantia do FGC.

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