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Trump estuda taxar importações de veículos aos Estados Unidos

24/05/2018 09h35

Washington, 24 Mai 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda impor novas tarifas às importações de veículos - revela um comunicado enviado ao secretário do Comércio americano, Wilbur Ross.

"Solicitei ao secretário Ross que inicie um estudo sob a Seção 232 sobre as importações de veículos, incluindo caminhões e autopeças, para determinar seu impacto sobre a segurança nacional dos Estados Unidos", escreveu Trump a Ross, que já iniciou a avaliação, segundo o Departamento do Comércio.

"As indústrias básicas, como a dos automóveis e das autopeças, são fundamentais para nossa força como Nação", destaca Trump no comunicado.

O próprio Ross anunciou ter iniciado um estudo sobre a Seção 232, o que proporcionará a base legal para a imposição de tarifas, caso isto seja decidido.

"O Departamento do Comércio fará uma investigação exaustiva, justa e transparente sobre se tais importações estão enfraquecendo nossa economia interna e podem prejudicar a segurança nacional", declarou Ross.

Segundo o secretário do Comércio, "há evidências que sugerem que, durante décadas, as importações têm erodido nossa indústria automobilística nacional".

No comunicado, o Departamento do Comércio cita números que mostram uma queda de 22% nos postos de trabalho nos Estados Unidos ligados à fabricação de automóveis entre 1990 e 2017.

A administração Trump usou a mesma justificativa para impor fortes tarifas sobre as importações de aço e de alumínio.

Na quarta-feira, "The Wall Street Journal" informou que Trump pretende taxar em até 25% as importações de veículos para os Estados Unidos.

O anúncio está relacionado às negociações com Canadá e México sobre a reformulação do Acordo de de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), estancadas na questão dos automóveis.

Mas Trump também critica com frequência as altas tarifas impostas pela China sobre as importações de automóveis.

Durante negociações recentes, o presidente chinês, Xi Jinping, ofereceu reduzir a taxação sobre a importação de automóveis de 25% para 15%.

The Wall Street Journal disse que a medida provavelmente enfrentará forte oposição dos parceiros comerciais e das concessionárias que vendem carros importados.

Trump já havia antecipado seu anúncio em tuítes: "Logo teremos grandes notícias para nossos grandes trabalhadores da indústria automobilística americana. Muitas décadas perdendo postos de trabalho para outros países. Já esperamos o suficiente"!.

- Reações -O vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, afirmou que é difícil de entender as tarifas que os Estados Unidos cogitam impor aos automóveis importados.

"Se o governo dos Estados Unidos aumentar unilateralmente os direitos de alfândega sobre os carros, evidentemente seria contrário às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e é muito difícil imaginar que (as importações de automóveis) representem uma ameaça para a segurança nacional", disse.

"É muito difícil de entender", destacou.

O ministro japonês do Comércio advertiu sobre o perigo da situação.

"No caso, e apenas no caso, de que se lance esta medida, seria uma medida de restrição comercial extremamente ampla. Estas medidas restritivas afundariam o mercado mundial na confusão", disse Hiroshige Seko à imprensa em Tóquio.

A montadora alemã Volkswagen criticou o protecionismo do governo dos Estados Unidos após a ameaça de Donad Trump.

"Ninguém se beneficia a longo prazo do protecionismo unilateral", afirmou um porta-voz do grupo, antes de destacar que "apenas um comércio livre e equitativo garante a prosperidade".

Em 2017, os veículos representaram 25% das exportações alemãs para os Estados Unidos, quase 29 bilhões de euros e 994.000 unidades vendidas.

As tarifas europeias aos carros dos Estados Unidos e dos países de fora da União Europeia (UE) são de 10%, contra 2,5% impostos por Washington aos veículos importados.

Mas o governo americano aplica tarifas de 25% aos caminhões e picapes, contra 14% em média na UE.

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