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Cinco fatos sobre a economia da selfie

27/06/2019 15h26

Paris, 27 Jun 2019 (AFP) - A selfie pode ser considerada um bem econômico? Além de ser um mero fenômeno narcisista, as fotos realizadas com smartphone, mais ou menos perfeccionistas, influenciam formas de consumo e na evolução da tecnologia.

- As origens da selfie -Quando as câmeras frontais foram instaladas nos celulares, em 2003, a ideia não era imortalizar o último jantar em restaurante chique, ou uma visita ao Louvre com a Mona Lisa ao fundo.

Na verdade, elas eram voltadas para o universo corporativo. Seu objetivo era facilitar as videoconferências e ligações - e não as fotos de férias. Um dos primeiros aparelhos a incluir a revolucionária câmera frontal foi o Sony Ericsson Z1010, e explicava claramente que ela deveria ser usado para videoligações.

- Economia das experiências -A selfie se tornou o símbolo de um novo modelo de consumo, a "economia da experiência", sobre a qual dois consultores norte-americanos, Joseph Pine e James Gilmore, teorizaram em um famoso artigo de 1998 publicado na Harvard Business Review.

Nele, os autores explicam que os consumidores preferem cada vez mais a investir em "experiências" mais ou menos fugazes, como boas refeições ou viagens exóticas, em vez de bens materiais.

E ainda melhor se você pode imortalizar o momento simplesmente esticando o braço - ou o pau de selfie - e compartilhar com apenas alguns cliques.

Em 2017, o gabinete McKinsey estima que entre 2014 e 2017 os gastos com consumo pessoal (PCE) em "experiências" subiu 5,3% nos Estados Unidos, onde a despesa global subiu 4,1%. Os gastos com bens, por sua vez, cresceram apenas 2,5%.

A tendência é ainda mais acentuada na Europa ocidental entre 2015 e 2017, com um aumento de 5% das despesas relacionadas a "experiências" versus 2,3% para os bens.

- Melhores lugares para o clique -Você provavelmente já encontrou, nas redes sociais, aquele conhecido nadando em uma esplêndida piscina infinita, com um cenário estonteante, em meio ao por do sol.

"O hotel Villa Honegg, na Suíça, tornou-se conhecido nas redes sociais pelas selfies em sua piscina", com montanhas nevas ao fundo, citou Johanne Saget, diretor da The One Consulting, um conselho de aconselhamento e treinamento sobre luxo, à AFP. E isso apesar do fato de o estabelecimento não oferecer benefícios muito diferentes dos seus concorrentes no mesmo nível.

Já existem empresários que se adaptam às novas demandas. Em 2014, o luxuoso hotel parisiense Mandarin Oriental lançou um tour de Paris dos melhores lugares para tirar uma selfie, por cerca de 995 euros. Embora "esta oferta não esteja mais disponível", as opiniões foram "boas", explica o estabelecimento.

O Grande Bretagne Hotel em Atenas identificou na sua esplanada um "ponto de selfie" de onde se pode ver uma vista deslumbrante da Acrópole. E o Desert Springs Resort, da cadeia Marriott, na Califórnia, nos EUA, empresta paus de selfie.

- Guerra das lentes -As lentes também transformaram o setor de fotografia. Os contratempos da Kodak ilustraram a transferência do centro de gravidade para a Ásia, onde a maioria dos telefone atualmente são montados. A gigante chinesa Huawei também se consolidou como uma referência mundial para fotos de celulares, especialmente graças à sua associação com a alemã Leica. Recentemente, a Xiaomi inovou ao propor uma meta para disfarçado sob a tela.

"A evolução das lentes anda de mãos dadas com o uso das redes sociais, que dão a oportunidade de gravar tudo e contar a vida ao vivo", diz Roberta Cozza, analista do setor para o gabinete Gartner. O desafio atual é poder fotografar mesmo com baixa luminosidade.

Embora as câmeras ainda sejam um elemento crucial para escolher o celular, elas não são tão relevantes quanto antes. "A tecnologia é tão boa que é difícil diferenciar as câmeras", disse ele à AFP.

- Futuro da selfie -Para esta especialista, "a próxima etapa importante será a inteligência artificial, com câmeras de fotos capazes de ajudar os usuários a escanear seu entorno". Esta é a realidade aumentada proposta, por exemplo, pela Samsung, com a função "visão" de seu assistente IA Bixby.

O resultado, por ora, não é impressionante, mas em breve pode ser possível conhecer as referências, ou até comprar um objeto escaneado com o telefone. Por exemplo, os sapatos de um colega de vagão no metrô.

E a câmara de selfie? "Pode permitir dizer ou compreender algo do estado de ânimo [do usuário] vendo seu rosto", imagina Cozza, lembrando de câmeras integradas em veículos que vigiam o estado do motorista, chegando inclusive a frear se ele inclinar demais a cabeça.

cda/aue/sgf/ra/ll/cc

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