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Críticas à Amazon aumentam à medida que coronavírus destaca seu poder

17/05/2020 13h24

San Francisco, 17 Mai 2020 (AFP) - Como a Amazon é cada vez mais uma rota de fuga para lidar com o confinamento trazido pelo novo coronavírus, a empresa enfrenta uma onda de críticas de ativistas e de políticos que questionam a crescente influência deste gigante da tecnologia.

Para atender à crescente demanda por produtos, a empresa contratou quase um milhão de trabalhadores, mas também teve de lidar com protestos sobre a segurança em seus armazéns, enquanto relatava a morte de vários de seus funcionários.

A empresa se comprometeu a destinar, neste trimestre, pelo menos US$ 4 bilhões ara a luta contra o novo coronavírus, o equivalente aos lucros que prevê para este período.

A AWS, sua unidade de computação em nuvem, em que se sustenta boa parte da Internet, é um elemento-chave nesta crise, já que cada vez mais pessoas e empresas trabalham on-line.

A Amazon mantém seu valor de mercado em níveis recordes, perto de US$ 1,2 trilhão.

"Seu tamanho justifica o escrutínio", disse Dania Rajendra, membro do grupo ativista Athena, uma coalizão dedicada à atividade da Amazon e ao tratamento de seus funcionários.

Seus membros veem com preocupação que a Amazon, que também controla um dos principais serviços de televisão "on demand", infiltre-se cada vez mais em muitos aspectos da vida de cada um de nós.

Apesar do fato de a pandemia ter atingido fortemente a economia mundial, o aumento no valor das ações da Amazon alavancou a fortuna de seu fundador e CEO, Jeff Bezos, estimada em mais de 140 bilhões de dólares.

A empresa sofreu greves em algumas de suas fábricas, devido à falta de segurança e pela reivindicação dos trabalhadores de adicional de periculosidade. Também foi acusada de demitir pessoas por criticarem a empresa.

"É uma minoria que está em greve, mas o sentimento representa milhares, ou centenas de milhares", disse Steve Smith, da Federação dos Trabalhadores da Califórnia.

A Amazon elevou o salário por hora para US$ 15, mais do que o salário mínimo, e pagou bônus durante a pandemia, medidas consideradas insuficientes pelos ativistas, especialmente no caro estado da Califórnia.

"A empresa pode se dar ao luxo de fazer destes empregos empregos de classe média, bons empregos", disse Smith.

- Tensões em Washington -As tensões chegaram à capital dos Estados Unidos, Washington. Congressistas responsáveis pelas investigações antitruste pediram a Bezos que responda às denúncias de que a empresa usou dados de terceiros para lançar seus próprios produtos. A Amazon nega a acusação.

A procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, chamou a Amazon de "indigna" por demitir o funcionário Chris Smalls, que liderou um protesto para exigir mais segurança.

A empresa alega que demitiu Smalls por ele ter ido trabalhar após ter contato com paciente de coronavírus, violando a quarentena.

Em um comunicado enviado à AFP, a Amazon defendeu suas medidas de segurança no local de trabalho e disse que está implementando seu próprio programa de testes para funcionários.

A empresa também questionou as acusações de que tenta silenciar funcionários críticos da empresa.

A porta-voz Lisa Levandowski disse que alguns funcionários foram demitidos "não por falarem publicamente sobre condições de trabalho, ou de segurança, mas por violarem reiteradamente as políticas internas".

Levandowski acrescentou que a Amazon já oferece o que muitos sindicatos exigem: uma base salarial alta, benefícios de saúde e oportunidades de carreira.

- Alternativas? -O analista Patrick Moorhead, da Moor Insights & Strategy, disse que a Amazon está sendo mais observada por causa de sua crescente influência global e da riqueza de Bezos.

Para Moorhead, a Amazon também foi prejudicada pela publicidade que dada à busca de uma cidade para instalar sua segunda sede, o que aumentou a conscientização do público sobre as isenções fiscais de que a gigante da tecnologia desfruta.

Segundo o analista, a empresa "não está se beneficiando" da crise da saúde e deveria ter reconhecido o mérito de algumas das 150 medidas tomadas durante a pandemia. Entre elas, fornecer informática de alto desempenho para os pesquisadores de coronavírus.

"Se você pensar na alternativa de fechar a Amazon, muitas pessoas não receberiam os itens de que precisam. Teríamos um grande número de pessoas desempregadas", disse ele.

juj-rl/dw/dga/piz/tt

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