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Banco Mundial pede para reduzir 'carga' da dívida dos países pobres

05/10/2020 14h28

Washington, 5 Out 2020 (AFP) - O presidente do Banco Mundial, David Malpass, pediu nesta segunda-feira (5) para reduzir a "carga da dívida" dos países pobres, destacando que a moratória acordada a pedido do G20 não é suficiente.

"A suspensão do serviço da dívida é um recurso temporário importante, mas não é suficiente", declarou Malpass em uma conversa virtual em Frankfurt antes das reuniões de outono boreal do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O diretor destacou que existem "muitos credores" que não participam na moratória, o que faz com que o alívio da dívida seja muito "superficial" para responder às necessidades orçamentárias dos países.

Uma iniciativa para suspender o serviço da dívida foi anunciada em abril e entrou em vigor em 1o de maio por um ano.

Esta iniciativa beneficia mais de 70 países pobres, incluindo Honduras, Haiti e Nicarágua. O Banco Mundial e o FMI querem prolongá-la até o final de 2021.

Malpass reiterou que o acordo prevê diferir o pagamento, mas não reduzir o valor da dívida.

"Levando em consideração a intensidade da pandemia, deveríamos agir com urgência para reduzir significativamente a dívida dos países com problemas de superendividamento", afirmou.

Na semana passada, a diretora gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou no mesmo sentido sobre o risco da moratória de muitos países, se as medidas temporárias de alívio da dívida não se prolongarem e se os contratos não forem revisados.

Malpass pediu a participação de todos os credores e que haja uma transparência total sobre os termos da dívida existente.

O FMI e o Banco Mundial realizam suas reuniões de outono boreal na próxima semana em Washington, o segundo encontro semestral virtual devido à pandemia.

Malpass voltou a reiterar que a pandemia apagou os progressos alcançados em várias décadas de combate à pobreza no mundo.

"As novas projeções do Banco Mundial sobre a pobreza sugerem que daqui a 2021, entre 110 a 150 milhões de pessoas a mais vão cair na pobreza extrema, passando a viver com menos de 1,9 dólar por dia", explicou.

O chefe do banco explicou que isso significa que mais de 1,4% da população mundial estará em situação de pobreza extrema.

Dt/lo/ode/an/mr/aa