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Biden quer novos auxílios financeiros diante da crise dos empregos

08/01/2021 19h44

Washington, 8 Jan 2021 (AFP) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta sexta-feira8) que lançará as bases de um novo plano de ajuda econômica a partir da próxima semana, antes de tomar posse em 20 de janeiro e em meio à crise do mercado de trabalho.

Certo do controle do Congresso e com os fracos números do emprego divulgados nesta sexta-feira, Biden defendeu "fornecer apoio adicional às famílias dos trabalhadores e às empresas imediatamente. Agora".

Sua prioridade, no entanto, será acelerar a vacinação contra o coronavírus, disse ele de seu reduto de Wilmington, em Delaware. O novo plano deve permitir às autoridades locais e nacionais manter o emprego de educadores, policiais, bombeiros e agentes de saúde pública.

O presidente eleito também expressou sua esperança de aumentar rapidamente o salário mínimo para 15 dólares a hora.

"No meio desta pandemia, existem milhões de pessoas sem emprego, incapazes de pagar o aluguel ou empréstimos", disse o presidente eleito. "Elas fazem fila por horas para buscar comida. Pense nisso. América, pessoas que fazem fila em seus carros esperando por uma refeição para levar à mesa de suas famílias", acrescentou.

- Crise do emprego -A economia dos Estados Unidos perdeu empregos em dezembro pela primeira vez desde abril, afetada por restrições de mobilidade e o fechamento de comércios para combater o agravamento da pandemia do novo coronavírus.

A taxa de desemprego ficou estável em relação a novembro, em 6,7%, em linha com as expectativas, sinal de que a participação no mercado de trabalho está diminuindo.

O número de desempregados manteve-se em 10,7 milhões.

Desde maio, o mercado de trabalho cresceu e conseguiu recuperar boa parte dos 22 milhões de empregos perdidos entre março e abril, quando ocorreu o impacto inicial da pandemia.

"Em dezembro, as perdas de empregos no setor de entretenimento e hotelaria e na educação privada foram parcialmente compensadas por aumentos (de postos) nos serviços para profissionais e empresas, comércio varejista e construção", explicou o Departamento do Trabalho.

As perdas de empregos se devem "quase inteiramente à extinção de meio milhão de postos no setor de lazer e hospitalidade, com o frio e o vírus causando sérios danos", disse Gregory Daco, analista da Oxford Economics.

A pandemia de covid-19 está no auge nos Estados Unidos desde o outono, o que motivou novas medidas para tentar impedir seu avanço.

Assim, o número de pessoas que entraram em desemprego temporário e acabaram por perder definitivamente o trabalho segue crescendo e já atinge 3 milhões de trabalhadores.

Existem 4 milhões de desempregados de longa duração nos Estados Unidos, ou seja, há mais de 27 semanas, mesmo número que foi registrado em novembro.

A taxa de desemprego atingiu 14,8% da população economicamente ativa em abril, mas vem caindo desde então.

A taxa de desemprego de 6,7% ainda é praticamente o dobro dos 3,5% registrados em fevereiro, antes da pandemia, quando estava em seu índice mais baixo em 50 anos.

- Reconstruir "melhor" a economia -A Bolsa de Valores de Nova York foi impulsionada pela perspectiva de um novo pacote de estímulo além dos 900 bilhões de dólares aprovados no final de 2020 e dos US$ 2,2 trilhões - depois ampliados para US$ 2,7 trilhões - aprovados no início da pandemia.

Essas ajudas suportaram os gastos do consumidor.

"Precisamos reconstruir melhor nossa economia", acrescentou a vice-presidente eleita Kamala Harris. "Isso significa dar aos diretores de pequenas empresas acesso ao capital", que são "os motores econômicos de nossos bairros", disse ela.

Harris também defendeu "proteger e expandir os direitos dos trabalhadores lutando por um salário mínimo mais alto e férias pagas", além de "locais de trabalho seguros e saudáveis e sindicatos mais fortes".

Embora o inverno boreal se anuncie difícil nos Estados Unidos, os economistas esperam uma melhora no emprego na primavera e no verão, após uma campanha de vacinação que deve imunizar a maioria da população.

- Abandono -Este relatório de emprego, o último da era Trump, mostra uma taxa de desemprego estável, explicada pelo fato de um número crescente de desempregados ter deixado de procurar um novo posto.

Muitas mulheres tiveram que deixar seus empregos para cuidar de seus filhos, pois muitas escolas, tanto públicas quanto privadas, não conseguiram reabrir nos Estados Unidos.

Soma-se a essa situação a redução da renda dos trabalhadores autônomos.

Em meados de dezembro, cerca de 19 milhões de pessoas estavam recebendo seguro-desemprego de uma variedade de programas.

jul/Dt/mr/lda/jc/mvv