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Quem é Jeff Bezos, o bilionário fundador da Amazon que foi ao espaço hoje

20/07/2021 12h51

Nova York, 20 Jul 2021 (AFP) - O magnata Jeff Bezos realizou, nesta terça-feira (20), seu sonho de longa data de ir ao espaço e abrir uma porta para o turismo espacial, possivelmente a próxima missão do homem que construiu um dos maiores impérios de negócios do planeta.

Aos 57 anos, Bezos deixou os confins da Terra por vários minutos nesta terça, a bordo da espaçonave New Shepard, fabricada pela Blue Origin, empresa de sua propriedade e fundada em 2000.

Esta viagem de mais de 100 km acima do solo aconteceu duas semanas após deixar o cargo de CEO da Amazon. Em 27 anos, esta empresa, que surgiu como uma startup montada em uma garagem para vender livros, tornou-se uma corporação em expansão avaliada em US$ 1,8 trilhão na Bolsa de Valores de Nova York.

Na façanha espacial, esteve acompanhado do irmão Mark, da ex-aviadora Wally Funk e do holandês Oliver Daemenen. Aos 82 e 18 anos, respectivamente, estes dois últimos foram a pessoa mais velha e a mais jovem a chegar ao espaço.

Com os olhos nas estrelas, mas os pés no chão, Jeffrey Preston Bezos continua ligado ao grupo, do qual detém cerca de 10% das ações como presidente executivo.

Proprietário do jornal The Washington Post e com uma fortuna estimada pela Forbes em US$ 210 bilhões, Jeff Bezos conseguiu permanecer no círculo dos bilionários, apesar de seu custoso divórcio, em 2019, de MacKenzie Scott. Eles foram casados por 25 anos e tiveram quatro filhos.

Bastante discreto até aquele momento, o divórcio o colocou nas manchetes dos tabloides, em um megaescândalo com ingredientes de conspiração e chantagem, uma amante e algumas fotos comprometedoras, em um contexto de inimizade pública com o então presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump.

Vida privada

Ameaçado, segundo ele, de ter fotos íntimas publicadas pelo National Enquirer, tabloide próximo a Trump, ele não hesitou em revidar, revelando publicamente o romance. Expôs sua vida e deu detalhes das fotos que o veículo ameaçava expor.

Conhecido por suas risadas ruidosas que muitas vezes dão a imagem de um homem simples, apesar de sua fortuna, Bezos mostrou naquele momento o que lhe permitiu fazer da Amazon uma das maiores empresas do mundo: um caráter forte e uma determinação inabalável.

Fascinado pela Internet, ele lançou a Amazon.com em 1994, depois de estudar na prestigiosa Universidade de Princeton e passar vários anos em Wall Street.

Fundada com a ajuda financeira dos pais, a empresa era apenas uma plataforma de venda de livros on-line, muitas vezes no vermelho.

Hoje, é uma gigante que domina o e-commerce, a computação remota ("cloud") e os assistentes de voz conectados, cujo logotipo, uma seta amarela em forma de sorriso sob a marca Amazon, pode ser vista em caixas em cidades ao redor do mundo.

Bezos "foi um pioneiro, ao implementar muitos serviços que as pessoas hoje consideram normais: desde a loja on-line até o pedido de um produto para recebimento no dia seguinte", diz Darrell West, pesquisador do Centro de Inovação Tecnológica da Brookings Institution.

O bilionário gosta de recordar suas origens humildes: filho de mãe adolescente em Albuquerque, no estado do Novo México, e adotado aos quatro anos por Miguel Bezos, um imigrante cubano.

"Instinto"

"Bezos teve o instinto" de apostar nos avanços do mercado, afirma Roger Kay, analista da Endpoint Technologies Associates.

Com o sucesso, vieram as críticas sobre seus métodos - incluindo baixar os preços o máximo possível.

A Amazon também é vista como um rolo compressor da concorrência e é criticada pelas condições de trabalho de seus funcionários. Fez o possível, por exemplo, para impedir a criação de um sindicato no estado do Alabama, em abril.

Além disso, o grupo está sendo investigado pelas autoridades antitruste dos Estados Unidos por comercializar seus próprios produtos em sua plataforma e, ao mesmo tempo, estabelecer as regras para o restante das empresas que ali vendem.

Como a cereja do bolo, Bezos foi recentemente acusado pela organização independente ProPublica, junto com os bilionários Elon Musk, Carl Icahn e George Soros, de deixar de pagar impostos federais por vários anos, graças a sistemas de "otimização" tributária.

Isso relançou imediatamente o debate a respeito da tributação sobre os mais ricos, os grandes vencedores da pandemia.