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Pequim critica sanções dos EUA contra empresas chinesas por tráfico de opioides

Bandeira da China em fente a prédio em Pequim - Thomas Peter/Reuters
Bandeira da China em fente a prédio em Pequim Imagem: Thomas Peter/Reuters

Da AFP

16/12/2021 09h21Atualizada em 16/12/2021 09h21

A China expressou "firme oposição" às sanções dos Estados Unidos contra cinco entidades chinesas acusadas de facilitar o tráfico de opioides sintéticos, responsáveis por um número recorde de mortes por overdoses nos Estados Unidos.

O presidente Joe Biden decidiu na quarta-feira endurecer o regime de sanções dos Estados Unidos contra os narcotraficantes internacionais, na China, assim como no Brasil e México.

As primeiras medidas são aplicadas contra um narcotraficante chinês e quatro empresas do país acusadas de participar na produção ilegal de fentanil para o mercado americano.

O fentanil é um potente opioide sintético que é utilizado na medicina, mas que também pode ser usado como droga.

"O presidente Joe Biden está tomando medidas decisivas para detectar, desbaratar e reduzir o poder das organizações criminosas transnacionais com dois decretos executivos", afirma um documento do governo.

Um deles estabelece um novo organismo, o Conselho dos Estados Unidos para o Crime Organizado (USCTOC, na sigla em inglês), que será integrado por representantes de diversos organismos governamentais.

O outro decreto impõe um regime de sanções mais amplas contra os atores internacionais do narcotráfico, que poderão ter congelados seus ativos nos Estados Unidos, impedi-los de entrar no país e de realizar certas transações.

No âmbito do novo regime de sanções, o Departamento do Tesouro anunciou uma série de alvos na China, mas também no Brasil e México.

Na China uma pessoa, Chuen Fat Yip, é acusada de comandar o tráfico de drogas sintéticas entre o país asiático e nos Estados Unidos, assim como quatro empresas: Wuhan Yuancheng Gongchuang Technology, Shanghai Fast-Fine Chemicals, Hebei Huanhao Biotechnology e Hebei Atun Trading.

"Incriminar" outros

"É muito simples, muitas das matérias-primas para a fabricação de opioides sintéticos vêm da China. E era importante transmitir uma mensagem forte", explicou um alto funcionário do governo americano que pediu para ter sua identidade em sigilo.

Pequim expressou surpresa com as sanções e afirmou que tem "tolerância zero" com as drogas. As autoridades chinesas afirmam que já fizeram muito para frear o tráfico de fentanil e acusam os Estados Unidos de falta de rigor.

"A China se opõe com veemência a esta forma de agir dos Estados Unidos que não é construtiva", disse Wasng Wenbin, porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

"Pedimos ao governo dos Estados Unidos que respeite os fatos e que investigue as razões do uso indevido de fentanil em seu território. E que julgue os esforços da China com objetividade, em vez de incriminar outros países", destacou.

A China endureceu a legislação em 2019 ao incluir todos os tipos de fentanil em sua lista de substâncias controladas.

Mais de 100 mil mortes

No Brasil, as novas sanções dos Estados Unidos serão aplicadas contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), "um dos grupos do crime organizado mais poderosos do país e do mundo, que negocia sobretudo com drogas, mas também está envolvido em lavagem de dinheiro, extorsão e homicídios por encomenda".

No México, os alvos são os grupos criminosos 'Los Rojos' e 'Guerreros Unidos'.

Ambos entram para a lista de uma série de redes e narcotraficantes do México e da Colômbia que já foram punidos desde 1995 e 1999.

Entre abril de 2020 e abril de 2021, o governo dos Estados Unidos contabilizou 100.306 overdoses fatais de drogas, o que representa um aumento de 28,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior (78.056 mortes).

Esta é a primeira vez que o país supera a marca simbólica de 100.000 mortes em um ano, o que significa um óbito a cada cinco minutos.

O fentanil não é necessariamente ilegal e pode ser utilizado como sedativo para os pacientes com câncer que sofrem com muitas dores.

Mas os laboratórios chineses são suspeitos de fornecer aos narcotraficantes, principalmente mexicanos, substâncias que permitem a produção de fentanil, às vezes falsificando documentos alfandegários.

Este tráfico acontece na maioria das vezes pela internet e os pagamentos são feitos em muitas oportunidades em criptomoeda, o que dificulta o trabalho dos investigadores.

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