Inflação na zona do euro acelera em dezembro para 2,9% na comparação anual

A inflação na zona do euro acelerou em dezembro para 2,9% na comparação anual, principalmente devido aos preços da energia, quebrando uma tendência descendente, anunciou a agência europeia de estatísticas Eurostat nesta sexta-feira (5).

Depois de atingir os 2,4% em novembro, esta aceleração da inflação, a primeira desde abril do ano passado, corresponde às previsões dos analistas consultados pela Bloomberg e reforça a opinião do Banco Central Europeu (BCE) de que a batalha para travar a inflação não terminou.

Os preços da energia caíram 6,7% em termos anuais em dezembro, depois de terem caído 11,5% em novembro, disse a Eurostat, e o aumento dos preços dos alimentos e bebidas abrandou para 6,1% em relação ao ano passado, em comparação com 6,9% em novembro.

No entanto, o valor mais acompanhado pelos mercados financeiros e pelo BCE é o da inflação subjacente, ou núcleo da inflação, que descarta a volatilidade dos preços dos alimentos e da energia. 

Este indicador, considerado mais representativo, diminuiu em dezembro para 3,4%, após 3,6% em novembro, cumprindo as previsões dos analistas, o que é um sinal promissor.

- Vitória "prematura" -

Em outubro de 2022, a inflação interanual na zona do euro atingiu um máximo de 10,6%, levando o BCE a implementar uma série de aumentos das taxas de juros para conter a inflação elevada. 

Mas à medida que a inflação se aproximava do objetivo da instituição de 2%, os apelos a uma redução das taxas aumentaram, encontrando oposição total dos bancos centrais. 

Os especialistas esperavam a aceleração em dezembro, já que, no mesmo mês de 2022, os governos concederam ajuda excepcional às famílias, devido às contas de energia, que dispararam por conta da invasão russa da Ucrânia.

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Por isso, Jack Allen-Reynolds, economista-chefe adjunto para a zona do euro da Capital Economics, considera que esta aceleração da inflação geral "não mudará a opinião dos responsáveis do BCE sobre as perspectivas para a política monetária" e prevê que a instituição reduzirá as taxas de juros "em abril ou próximo dessa data". 

A presidente do BCE, Christine Lagarde, diz que as negociações sobre possíveis cortes nas taxas de juros são "prematuras" e que "ainda não é hora de declarar vitória".

Em dezembro, o BCE manteve as taxas em seu máximo histórico, ou seja, 4,0% para os depósitos de referência, após um endurecimento sem precedentes. 

Seu homólogo americano, o Federal Reserve (Fed), anunciou na quarta-feira (3) que sua política permaneceria "restritiva durante algum tempo", frustrando as expectativas dos investidores de uma rápida flexibilização e provocando a queda dos mercados financeiros.

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© Agence France-Presse

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