Bancos americanos apresentam resultados díspares, mas consumidores reagem

Os grandes bancos americanos publicaram, nesta sexta-feira (12), resultados díspares para o último trimestre de 2023, mas apresentaram notícias animadoras do lado dos consumidores.

JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo, que abriram a temporada de resultados de empresas nos Estados Unidos, registraram ganhos líquidos superiores ao esperado no último trimestre do ano passado.

Mas, todos decepcionaram o mercado em termos de faturamento, com o Bank of America (BofA) e o Citigroup inclusive revisando sua receita em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

As contas dos grandes bancos foram afetadas pela crise bancária do ano passado. Todos tiveram que contribuir no quarto trimestre para a recomposição do fundo de garantia de depósitos.

A agência de garantia de depósitos ou FDIC registrou perdas de cerca de 16,3 bilhões de dólares (78,9 bilhões de reais, na cotação de dezembro de 2023), após a quebra de vários bancos americanos devido a retiradas maciças.

O Silicon Valley Bank (SVB) ficou sob o controle da FDIC e o Silvergate Bank fechou as portas.

Além disso, Signature Bank e First Republic foram vendidos em uma manobra de urgência para o New York Community Bank e o JPMorgan Chase, respectivamente.

Para tentar estabilizar o sistema, a FDIC se comprometeu a garantir todos os depósitos de clientes do SVB e do Signature Bank, enquanto o teto costuma ser de 250.000 dólares por pessoa por estabelecimento, aproximadamente R$ 1,2 bilhão de reais, na cotação atual.

Os quatro bancos que publicaram resultados nesta sexta aportaram no total 8,6 bilhões de dólares (41,7 bilhões de reais) ao fundo de garantia de depósitos, o que afetou seus balanços.

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Mas, no geral, estas entidades foram beneficiadas pela crise bancária, que levou muitos clientes a deixarem os pequenos bancos regionais para se refugiarem em grandes instituições, consideradas mais sólidas.

- Consumidor com boa saúde -

No trimestre, também se beneficiaram dos juros altos, que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) mantém em seus níveis mais altos desde 2021 para tentar conter a inflação.

O JPMorgan Chase viu subir em 19% sua receita líquida por juros (juros recebidos menos juros pagos).

Os bancos esperam que estas margens diminuam com as reduções dos juros pelo Fed este ano.

Além disso, em um momento em que a economia americana dá alguns sinais de esfriamento, os bancos aumentaram suas provisões ou reservas para créditos de risco, ainda que de forma comedida.

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O diretor financeiro do JPMorgan Chase, Jeremy Barnum, destacou de todo modo que "o consumidor está bem".

"Os gastos são sustentados", acrescentou, destacando que o consumo é mais sólido, inclusive, nas famílias modestas.

"Observamos de perto a evolução dos créditos e inclusive se vemos uma deterioração sutil, está em linha com as nossas expectativas", resumiu, por sua vez, o diretor do Wells Fargo, Charlie Scharf.

- Os números -

O JPMorgan Chase registrou queda em seu lucro líquido no quarto trimestre do ano passado, a 9,3 bilhões de dólares (R$ 45 bilhões, na cotação de dezembro de 2023) - 15% a menos na comparação com o ano anterior. Por ação, o registro mais seguido pelo mercado, foi de 3,97 dólares, acima dos US$ 3,36 esperados pelos analistas.

O Bank of America, segundo banco dos Estados Unidos por ativos, publicou nesta sexta resultados do quarto trimestre de 2023 piores que os obtidos no mesmo período do ano anterior.

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Neste período, o banco obteve depósitos de 22 bilhões de dólares (R$ 106 bilhões), o que representou uma redução de 10% com relação ao ano anterior, percentual inferior às estimativas de Wall Street. 

Seu lucro líquido foi de 3,1 bilhões de dólares (R$ 15 bilhões), -56% em comparação com o ano anterior. Por ação, foi de 0,35 dólar, frente ao 0,85 dólar do mesmo período do ano anterior.

O Citigroup, que nesta sexta-feira anunciou a intenção de suprimir 20.000 postos de trabalho no médio prazo, viu seu faturamento cair 3% no último trimestre de 2023. Além disso, realizou provisões e teve despesas que afetaram seus resultados em 4,6 bilhões de dólares (R$ 22,2 bilhões, em dezembro de 2023), para uma perda de US$ 1,8 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em um trimestre "muito decepcionante", segundo sua diretora-geral, Jane Fraser.

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© Agence France-Presse

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