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Eleições nos EUA: a economia americana melhorou? Veja a resposta em seis gráficos

Equipe Reality Check - BBC News

27/09/2020 07h52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz que construiu a melhor situação da economia dos Estados Unidos de todos os tempos antes do coronavírus. Ele afirma que houve um crescimento econômico histórico, baixo desemprego em nível recorde e retirada de milhões de americanos da pobreza ? e diz que fará tudo de novo se for reeleito.

Diante dessa alegação, a equipe de checagem de fatos da BBC (Reality Check) foi verificar o que revelam as estatísticas. O veredito: é verdade que a economia estava indo bem antes da pandemia (continuando uma tendência que começou durante o governo de Barack Obama), mas já houve períodos em que se mostrou ainda mais forte.

Agora, a economia dos Estados Unidos foi atingida pela maior contração já registrada e pela maior taxa de desemprego em mais de 80 anos.

Entenda a situação da economia dos Estados Unidos em seis gráficos:

Durante seus primeiros três anos na Presidência Trump, houve um crescimento econômico médio anual de 2,5%.

Nos últimos três anos da administração do antecessor dele, Barack Obama, os EUA viram um nível semelhante de crescimento (2,3%), junto com uma taxa significativamente maior (5,5%) em meados de 2014.

No entanto, o surto de coronavírus no início deste ano desencadeou a contração mais acentuada desde o início dos registros.

No segundo trimestre de 2020 (abril, maio e junho), a economia dos EUA contraiu mais de 30%. Isso é mais de três vezes maior que a queda de 10% registrada em 1958.

Se olharmos para as taxas de crescimento tão antigas quanto permite a série histórica, fica claro que houve períodos frequentes em que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi significativamente maior que o registrado sob o presidente Trump.

No início da década de 1950, por exemplo, a taxa de crescimento anualizada do PIB superava 10%.

Trump frequentemente destaca o valor crescente dos mercados financeiros dos EUA como uma medida de sucesso ? em particular o Índice Dow Jones.

Este é uma medida do desempenho de 30 grandes empresas listadas nas bolsas de valores dos EUA e atingiu recordes históricos no início deste ano.

Em seguida, quebrou quando os mercados reagiram à pandemia de coronavírus, eliminando todos os ganhos obtidos desde que Trump assumiu o cargo.

Mas os mercados financeiros têm sido notavelmente resilientes e agora se recuperaram em grande parte a níveis anteriores à pandemia.

Antes da pandemia, Trump afirmava ter entregado a menor taxa de desemprego em meio século.

Isso é verdade. Em fevereiro deste ano, a taxa era de 3,5%, a menor em mais de 50 anos.

No entanto, é verdade que o governo Obama adicionou mais empregos à economia, comparando-se períodos semelhantes.

Sob Trump, nos três anos anteriores à pandemia, foram registrados 6,4 milhões de empregos adicionais. Nos últimos três anos de Obama, foram criados 7 milhões de empregos.

Como em muitas partes do mundo, as medidas de confinamento devido ao coronavírus levaram muito rapidamente a níveis crescentes de desemprego nos Estados Unidos.

A taxa saltou para 14,7% em abril, o maior nível desde a Grande Depressão dos anos 1930.

O Departamento do Trabalho dos EUA diz que mais de 20 milhões de pessoas perderam seus empregos, eliminando em único mês o equivalente a uma década de ganhos de empregos.

Desde o pico em abril, a taxa de desemprego caiu significativamente para 8,4% em agosto.

Os salários em valores reais (ajustados pela inflação) cresceram durante os primeiros três anos de Trump na Presidência, continuando uma tendência de aumento constante que começou durante o primeiro dos dois mandatos de Obama.

Esse crescimento atingiu 2,1% ao ano em fevereiro de 2019, antes da pandemia.

Essa taxa é inferior aos aumentos reais de salários de até 2,4% que Obama viu em 2015.

O rápido aumento na média salarial visto no início do confinamento devido ao coronavírus é explicado, em grande parte, como consequência da perda de empregos dos americanos de renda mais baixa a uma taxa desproporcional. Com os assalariados mais baixos sem empregos, os dados do salário médio por hora tiveram uma forte tendência de alta.

Desde então, os salários médios começaram a cair, à medida que as restrições econômicas diminuíram.

Trump afirmou em 2019 que havia realizado "a maior redução da pobreza sob qualquer presidente da história".

Em 2019, cerca de 4,2 milhões de pessoas a menos viviam na pobreza nos EUA em comparação com o ano anterior, segundo dados oficiais.

Trata-se de uma queda significativa, mas não é a maior redução da história do país.

O Departamento do Censo dos EUA publica os dados de pobreza desde o final dos anos 1950. A maior queda em um único ano foi em 1966, durante o governo do então presidente Lyndon B Johnson, quando quase 4,7 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza.

A crise financeira de 2007 e 2008 e a subsequente desaceleração econômica trouxeram aumentos acentuados da pobreza, que só começou a diminuir a partir de 2015, durante o governo Obama, com uma economia em crescimento e níveis de emprego crescentes.

A força contínua da economia sob Trump (pelo menos até a pandemia) foi acompanhada por uma queda contínua na taxa de pobreza.

Essa visão geral do país, no entanto, mascara grandes variações entre regiões e grupos étnicos nos Estados Unidos.

Em 2019, enquanto 10,5% da população era definida como "vivendo na pobreza", a taxa para americanos negros era de 18,8% e para americanos brancos (não hispânicos) era de 7,3%.

Os números de 2020 ainda não estão disponíveis, mas a expectativa é que as estatísticas mostrem um aumento acentuado da pobreza como resultado da pandemia.



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