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Commodities ainda são maior influência sobre Ibovespa

Denyse Godoy

(Bloomberg) -- Ultimamente, nos mercados brasileiros, os investidores podem ser separados em duas correntes: aqueles que escolhem ações baseados nos movimentos políticos e aqueles que acham isso uma loucura.

Ocorre que os dois lados estão certos, um mais do que o outro. Embora a relação entre o Ibovespa e o impeachment da presidente Dilma Rousseff tem ganhando força neste ano, nada influencia mais a bolsa brasileira quanto as commodities, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Faz sentido que o preço das matérias-primas ainda seja o fator mais importante no mercado de ações brasileiro. As commodities respondem por mais da metade das exportações do país, determinando a lucratividade de empresas que respondem por 20 por cento do peso do Ibovespa, que tem 61 membros. Mas em um ano dominado por um escândalo de corrupção e pela pior recessão em um século muitos investidores estão depositando suas esperanças em uma reviravolta não na recuperação dos preços do minério de ferro e da soja, mas em uma mudança de governo.

"A euforia do impeachment é contagiosa", disse Adeodato Volpi Netto, chefe de mercados de capitais da Eleven Financial Research em São Paulo. Mas para empresas como a Petrobras, nada é mais importante do que o preço do petróleo. "São os preços do petróleo que vão determinar a sobrevivência da empresa. O mesmo raciocínio se aplica às empresas mineradoras e às siderúrgicas".

A relação entre o índice Standard & Poor's GSCI Spot, que compila os preços de 24 commodities em cinco setores, e o Ibovespa está perto de seu maior nível já registrado de cerca de 50 por cento, segundo dados compilados pela Bloomberg. A ligação tem sido positiva e aumentado continuamente desde o final de 2008.

Os investidores que tentam lucrar com base nas expectativas de mudança do governo percorrem um caminho mais complicado. A relação entre as notícias sobre o impeachment de Dilma -- um indicador que mede o impulso que o movimento está ganhando -- e o Ibovespa permanece em 53 por cento após atingir um recorde de 71 por cento em março, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entretanto, trata-se de uma ciência imperfeita. A relação foi negativa em três dos últimos 12 meses, o que significa que à medida que o processo ganhou força, as ações, na verdade, caíram.

James Gulbrandsen, diretor de investimento para a América Latina na NCH Capital, no Rio de Janeiro, diz que a importância das produtoras de matérias-primas diminuiu ao longo do tempo, mas ainda é grande. Segundo ele, quando o drama do impeachment acabar e os preços das commodities se recuperarem, a relevância dessas empresas, que perderam tanto nos últimos seis anos, vai aumentar.

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