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Minério de ferro volta a recuar após furor especulativo

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- O minério de ferro despencou porque o aumento dos estoques nos portos da China, o maior comprador do mundo, prejudicou os preços, que tinham ganhado impulso com a melhora da perspectiva econômica e a maior especulação dos investidores.

O minério com 62% de conteúdo enviado para Qingdao caiu 4,3%, para US$ 63,41 por tonelada, nesta terça-feira.

A commodity reduziu os ganhos registrados neste ano para 46%, segundo a Metal Bulletin. Os estoques portuários aumentaram 1,2% na semana passada, para 98,5 milhões de toneladas, a maior quantidade em mais de um ano, segundo a Shanghai Steelhome Information Technology.

O avanço do minério de ferro nos primeiros meses de 2016 confundiu muitos analistas depois que a China acrescentou estímulos e provocou uma recuperação inesperada no setor imobiliário.

O avanço ajudou a estimular o aumento do trading especulativo, que levou os reguladores a implementar uma campanha de repressão para conter os excessos. O Goldman Sachs afirma que o minério de ferro voltará a despencar para US$ 35 porque o excesso de oferta voltará, já que mais produção de baixo custo surgirá em 2016.

O mês de "maio marca o período em que a demanda por aço geralmente começa a desacelerar após uma temporada agitada", disse Xia Junyan, analista da Everbright Futures, em uma nota publicada nesta terça-feira. "Os estoques de minério de ferro nos portos têm se mantido perto de 100 milhões de toneladas, o que indica que a oferta é relativamente abundante".

Contratos de futuros

Os contratos futuros mais ativos da SGX AsiaClear chegaram a perder 6,9% e caíram para US$ 57,83 por tonelada nesta terça-feira em Cingapura antes da divulgação diária de preço da Metal Bulletin. O contrato na Dalian Commodity Exchange caiu 4,2%. Na China, o vergalhão de aço, um produto de referência, e o coque, empregado nas fundições, também caíram.

Investidores que negociaram US$ 261 bilhões em commodities chinesas em um único dia do mês passado estão recuando depois que os reguladores intensificaram o controle e a supervisão dos mercados, aumentando as margens e comissões e reduzindo as horas para alguns contratos.

O valor dos futuros negociados nas três maiores bolsas de commodities da China diminuiu mais de 40% desde que os investidores gastaram 1,7 trilhão de yuans no dia 21 de abril em diversos produtos, como vergalhão e carvão.

Os especuladores tinham entrado em grande número após os sinais de que a demanda de aço estava crescendo e depois que um índice de produção fabril nas usinas da China indicou no final de semana a primeira expansão em dois anos.

O índice de gerentes de compras para o aço aumentou de 49,7 pontos em março para 57,3 em abril, segundo dados oficiais publicados no domingo. Uma leitura superior a 50 pontos indica uma expansão.

A produção de aço na China, que responde por cerca de metade da oferta global, bateu um recorde em março pelo aumento da oferta das usinas e a expansão das margens. Mais de sessenta altos-fornos no país inteiro voltaram a produzir durante o primeiro trimestre, segundo a China Metallurgical News, afiliada à China Iron & Steel Association.

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