Goldman Sachs eleva projeção para minério de ferro e faz alerta

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs elevou suas projeções para o minério de ferro para o restante do ano após uma alta surpresa no início de 2016, mas alertou que o restabelecimento do preço poderá trazer problemas porque ainda há previsão de aumento da oferta.

A perspectiva para este trimestre foi aumentada em 47 por cento, para US$ 55 a tonelada, e a projeção para o período de julho a setembro foi elevada em 20 por cento, para US$ 45, e a projeção para os últimos três meses do ano subiu 14 por cento, para US$ 40, disse o banco em um relatório recebido pela Bloomberg News nesta sexta-feira. As mudanças, que elevaram a estimativa para o ano em 19 por cento, surgem cerca de duas semanas depois de o banco de Nova York ter previsto um recuo para US$ 35 até o final do ano com base nas expectativas de retorno do excesso de oferta.

O minério de ferro subiu nos primeiros meses de 2016, contrariando muitos analistas pessimistas, depois que a China adicionou estímulos e capitaneou uma inesperada recuperação do setor imobiliário, aumentando o consumo de aço no maior produtor do mundo. A melhora da demanda surpreendeu as siderúrgicas chinesas porque a significativa contração das vendas no ano passado havia levado o setor a esperar uma fragilidade maior, e as perturbações de oferta em minas e portos também ajudaram a elevar os preços, disse o Goldman. Nesta semana, o minério de ferro registrou a maior queda em quatro anos.

'Consequências negativas'

A alta deste ano poderia "provocar consequências negativas no setor no futuro", escreveram os analistas Christian Lelong e Amber Cai. "As produtoras marginais terão posições financeiras mais sólidas e uma resiliência maior em face do excesso de oferta enquanto durar a alta, com o potencial de que os preços caiam ainda mais abaixo do custo marginal".

O minério com 62 por cento de conteúdo entregue a Qingdao caiu 3,3 por cento na sexta-feira, para US$ 58,29 a tonelada, segundo a Metal Bulletin. Embora a queda de 12 por cento desta semana tenha sido a maior desde 2011, os preços ainda estão em alta de 34 por cento neste ano. O Goldman deixou inalteradas em US$ 35 as projeções para os próximos dois anos.

O banco não é o único a refazer suas projeções. Em abril, o Citigroup aumentou sua previsão para 2016 de US$ 39 para US$ 45, embora sustentando que o mercado ainda enfrenta excesso de oferta. Na semana passada, o Banco Mundial ampliou sua projeção para este ano. Em nota de 5 de maio, o Deutsche Bank disse que via os chamados riscos de ganho em sua perspectiva para este trimestre e o próximo e que a alta provavelmente não seria duradoura.

Neste ano, as autoridades de política monetária da China inflaram o crescimento e adicionaram estímulos, impulsionando a recuperação da demanda e dos preços do aço, assim como o aumento da negociação especulativa de futuros de matérias-primas, que desde então tem sido limitada. As vendas de residências deram um salto em março e o investimento na construção imobiliária subiu no primeiro trimestre. A produção mensal de aço de março foi a maior da história.

Excesso de oferta

Para que a alta do minério de ferro se estenda ao terceiro trimestre, é necessário um crescimento forte do consumo de aço, um resultado que o Goldman disse ser improvável. Se o impulso à atividade gerado pela China perder força no terceiro trimestre e a produção de aço diminuir, o aumento da produção de minério resultará rapidamente em uma oferta abundante, disse o banco.

Há mais produção de baixo custo a caminho, segundo o Goldman. O banco sinalizou uma possível produção antecipada do projeto S11D da Vale no último trimestre, assim como aquilo que poderia ser o estágio final de aceleração da mina Roy Hill de Gina Rinehart em Pilbara, na Austrália. Existe também a possibilidade de que a Samarco, joint venture da Vale com a BHP Billiton, retome a produção, disse o banco.

O aumento dos investimentos por parte da China "não pode suprimir os fundamentos do minério de ferro indefinidamente", disseram os analistas. "A alta atual é de curto prazo e em breve dará lugar a mais fechamentos de minas".

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