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'Carry trade' garante ganhos com queda de instabilidade após Brexit

Michael Yang

(Bloomberg) -- Um pouco de calma e perspectivas de aumento do estímulo de alguns dos maiores bancos centrais do mundo estão criando um período de oportunidades para uma das estratégias de trading mais populares no mercado cambial por onde passam US$ 5,3 trilhões por dia.

Os "carry trade", que envolve empréstimo em moedas com juros baixos para comprar outras com rendimentos altos, geraram ganhos em nove das últimas dez semanas, segundo um índice do Deutsche Bank que acompanha o G-10. Desde o dia 1º de julho, os 31 principais "carry trades" cambiais com ienes ganharam, exceto os da lira turca, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

Após sofrer uma queda no ano passado e começar 2016 de modo irregular, a estratégia foi impulsionada pela diminuição da volatilidade cambial e pelo maior apetite por ativos mais arriscados, sendo que a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia provocou apenas declínios breves na maioria dos mercados financeiros além da libra esterlina.

Isso retorna o foco para o Banco do Japão e o Banco Central Europeu enquanto eles avaliam incrementar o estímulo para reforçar o crescimento econômico e a inflação.

"É uma operação vitoriosa agora", disse Shaun Osborne, estrategista-chefe cambial do Bank of Nova Scotia em Toronto. "Investidores podem projetar que essa oportunidade continue durante mais dois trimestres", com base na perspectiva de expansão do estímulo na Europa e no Japão, com o Federal Reserve avançando lentamente para um aumento das taxas de juros nos EUA.

Perdas

Durante o primeiro semestre do ano, os traders perderam 2,6 por cento com apostas de carry trade em moedas do G-10 apesar de um rali nas moedas apoiadas em commodities que ofereceu taxas de juros mais altas. Desde então, as operações dentro da mesma cesta deram retorno de 0,6%.

"O contexto global, no qual os bancos centrais manterão no mínimo uma postura extremamente acomodatícia, cria um ambiente muito favorável para ativos de risco", disse Omer Esiner, analista-chefe de mercados da Commonwealth Foreign Exchange em Washington. "Nesse fato tende-se a ver que 'carry trades' ressurgem como estratégia e obtêm um desempenho superior".

Os dólares neozelandês e australiano são as duas moedas com os rendimentos mais altos entre as do G-10, com taxas de juros de 2,25 por cento e 1,75%, respectivamente, o que faz com que sejam alvos potenciais para "carry trades" entre países desenvolvidos. Ambas as moedas despencaram nesta semana por causa da especulação de que os bancos centrais dos países diminuirão as taxas de juros na tentativa de estimular o crescimento econômico.

Assumir mais riscos fora do G-10 é uma forma possível de aumentar os retornos do "carry trade", disse Osborne, do Bank of Nova Scotia. As operações com o melhor rendimento desde o dia 1º de julho têm sido as vendas do iene por rand sul-africano, peso chileno e peso argentino.

"Com certa exposição a mercados emergentes, é possível tirar proveito do ambiente amigável", disse Osborne.

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