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Dinheiro de helicóptero será testado pelo Japão, diz Mobius

Tom Redmond

(Bloomberg) -- O Federal Reserve reluta em elevar as taxas de juros. O iene se fortalece para 90 por dólar. Haruhiko Kuroda decide entrar em ação.

O dinheiro de helicóptero vem aí, disse Mark Mobius, e pode chegar já no próximo mês.

Aos 80 anos, o veterano do mundo dos investimentos resumiu como ele espera que os bancos centrais reagirão à lentidão do crescimento econômico. Para Mobius, presidente-executivo do conselho da Templeton Emerging Markets Group, as medidas tradicionais de flexibilização fizeram com que as pessoas economizassem, em vez de estimular o consumo e os empréstimos. Ele afirma que, junto com a valorização do iene, isso forçará o presidente do Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) a considerar uma política que ele já descartou várias vezes.

"Eles realmente estão começando a pensar em quais armas eles têm", disse Mobius em entrevista durante uma visita a Tóquio, atingida por um tufão, nesta semana. "A primeira reação será dizer: OK, vamos optar pelo dinheiro de helicóptero, vamos colocar o dinheiro diretamente na mão dos consumidores", disse ele. "Acho que este provavelmente será o próximo passo".

Enxurrada de estímulos

Os bancos centrais inundaram suas economias com estímulos monetários nos oito anos seguintes à crise financeira internacional, o que elevou os preços dos ativos -- inclusive nos mercados de ações onde Mobius investe -- ao mesmo tempo em que tiveram dificuldades para revigorar o crescimento mundial. A incursão pelas taxas de juros negativas no Japão se deparou com uma alta do iene para cerca de 100 por dólar, ações em queda e redução dos lucros dos bancos.

O dinheiro de helicóptero, uma espécie de último recurso em uma política monetária pouco convencional, vem de várias maneiras. A mais simples é imprimir dinheiro e entregá-lo para a população, na esperança de que as pessoas gastem -- e até criando incentivos para isso. Outra possibilidade é o financiamento direto das despesas estatais, ou seja, colocar o dinheiro na mão das empresas.

Para Mobius, que acompanha de perto a economia do Japão por causa das relações comerciais que esse país mantém com os mercados emergentes da Ásia e do restante do mundo, os receios com os possíveis efeitos colaterais do dinheiro de helicóptero poderiam fadá-lo ao fracasso.

"Acho que eles vão empreender o dinheiro de helicóptero com muita cautela e muita relutância, e é claro que se eles fizerem isso de forma cautelosa não vai surtir o efeito desejado", disse ele. "Eles provavelmente vão esperar até que o iene fique em torno de 90 para entrar em ação".

Mobius diz que há temores de que esta política provoque uma inflação galopante e também há dúvidas de que ela seja eficaz para aumentar a receita tributária em um país onde a dívida nacional equivale a aproximadamente 250 por cento do produto interno bruto.

"Eles adorariam adotar o dinheiro de helicóptero, mas eles também precisam compreender a situação fiscal", disse Mobius. "Isso não necessariamente teria o impacto de um aumento dos impostos".

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