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S&P 500 precisa de lucros milagrosos para descer das nuvens

Oliver Renick

(Bloomberg) -- O Federal Reserve está procurando qualquer desculpa para elevar as taxas de juros, o crescimento global está desacelerando, e mesmo assim os analistas de ações projetam a maior expansão dos ganhos desde o começo do bull market. Tomara que eles tenham razão.

Para atingir as projeções para o ano que vem, as empresas do índice S&P 500 precisariam elevar os lucros em 13%, algo que não acontece desde 2011. Não conseguir isso desencadeará o risco de inflar as avaliações de ações que, a 20 vezes o lucro anual, já são as mais altas desde a crise financeira.

Embora a confiança dos analistas ajude a explicar a resiliência do mercado acionário, um crescimento dos lucros desse tipo tem sido a única coisa que os investidores foram condicionados a não esperar ultimamente. Eles acabam de aguentar uma sequência de cinco trimestres onde cada previsão de ganhos mais elevados se desfez quando a temporada de balanços começou.

"Seria preciso que muitas coisas funcionassem ao mesmo tempo para atingir esse número, muitas coisas teriam que dar certo", disse Peter Andersen, diretor de investimentos da Fiduciary Trust em Boston, em entrevista por telefone. Sua empresa administra mais de US$ 11 bilhões. "Há áreas em que o crescimento será bastante forte, como certas áreas da tecnologia, mas outros setores, como as financeiras, nunca terão esse tipo de crescimento em 2017".

Embora o mercado acionário americano já tenha contornado várias ameaças, da crise da dívida soberana europeia à perspectiva de uma paralisação do governo, teve menos sucesso para prosperar quando os ganhos não cresceram.

Até 2014, tanto o preço do S&P 500 quanto o lucro anual de seus membros registraram seis anos consecutivos sem declínios -- mas isso acabou em 2015, quando o índice recuou 0,7% e os lucros caíram 3,1%.

Essa tendência piorou em 2016, quando o lucro anual das empresas do S&P 500 caiu do pico de US$ 113 por ação em setembro de 2014 para US$ 106 no trimestre passado. Os lucros trimestrais no S&P 500 estão prestes a registrar o sexto declínio consecutivo no terceiro trimestre, o equivalente à recessão mais prolongada dos lucros já registrada, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O crescimento anual nos EUA recuou durante cinco trimestres consecutivos, e o PIB do segundo trimestre, de 1,2%, é o mais baixo em três anos. O crescimento global continua apagado, disse o FMI em um relatório em julho, quando rebaixou as expectativas de crescimento em 2017 para 3,4% após o triunfo do Brexit.

"Fomos enganados com expectativas de crescimento altas e impraticáveis e avaliações bastante altas", disse Ben Laidler, estrategista global de ações da HSBC Securities USA Inc. em Nova York, em entrevista à Bloomberg TV na quinta-feira. "Temos expectativas de crescimento dos lucros de 14% para o ano que vem no mundo e nunca foi visto algo nem sequer perto disso com a perspectiva de PIB que temos".

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