Fundos de hedge crescem ou fecham, aumentando riscos

Lisa Abramowicz

(Bloomberg) -- Este ano não foi nada fácil para os fundos de hedge.

Suas taxas de retorno não impressionaram. Eles disputam entre si uma quantia estagnada de dinheiro de investidores e reduzem suas taxas ininterruptamente. A pressão está dividindo o setor que movimenta US$ 3 trilhões, tornando os maiores fundos de hedge ainda maiores e extinguindo muitas firmas de menor porte.

Firmas com mais de US$ 10 bilhões em ativos sob gestão podem diminuir taxas e customizar estratégias mais facilmente. É exatamente o que estão fazendo, de acordo com relatório global sobre o setor divulgado pela Ernst & Young.

A redução de taxas pelas maiores firmas foi mais intensa do que entre as menores, o que torna as maiores mais atraentes a clientes como fundos de pensão e seguradoras. A Brevan Howard, por exemplo, baixou algumas taxas de administração para zero para determinados clientes. A taxa de administração média, que já foi de 2 por cento, recuou para 1,35 por cento neste ano, segundo dados da Ernst & Young.

Diversos estudos tentaram responder se firmas de fundos de hedge maiores ou menores entregam melhor desempenho. Os resultados são frequentemente conflitantes e a questão não foi solucionada.

O certo é que a concentração maior de dinheiro em um grupo menor de firmas aumenta a importância financeira das maiores. Isso pode se tornar um problema se o risco não for monitorado adequadamente - especialmente no caso dos maiores fundos de hedge, que costumam usar alavancagem e derivativos.

As autoridades reguladoras determinaram que derivativos passem por câmaras de compensação para diminuir o potencial risco sistêmico oriundo da quebra de firmas. Mas o sistema financeiro não é imune a sobressaltos. Por exemplo, um estudo divulgado em 1º de dezembro pelo Escritório de Pesquisa Financeira do Tesouro americano concluiu que firmas grandes que são significativas vendedoras líquidas de contratos de proteção contra calotes (credit-default swaps ou CDS) podem representar importante ameaça ao sistema financeiro.

A migração na direção de firmas maiores de fundos de hedge vai se acelerar se as taxas continuarem diminuindo. A sobrevivência passa a depender da escala. Se uma firma tiver ativos suficientes, poderá cortar custos ao terceirizar recursos humanos e serviços jurídicos e de back office e pagar mais para atrair talentos em programação e negociação de ativos. Também será mais fácil barganhar com suas principais corretoras.

Caso contrário, a firma pode fechar as portas rapidamente, o que já está acontecendo. O ritmo de liquidações de fundos de hedge comparado à formação de novas firmas neste ano é o mais acelerado desde 2009, de acordo com dados da HFR.

Os investidores querem pagar menos e obter retorno maior. O resultado provavelmente será um grupo menor de gestoras de ativos gigantescas e uma porta giratória para os fundos iniciantes. Isso pode ajudar a reduzir custos, mas o ônus de monitorar riscos concentrados ficará nas costas de autoridades reguladoras e investidores institucionais.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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