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Conversa de bar revela estilo de negociador da UE para Brexit

Ian Wishart

(Bloomberg) -- Para ter uma ideia de como é o estilo do chefe de negociações da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, é possível voltar a um bar em Bruxelas em 1999.

Prestes a assumir seu primeiro cargo de comissário europeu, Barnier estava procurando especialistas para montar sua equipe e havia sido aconselhado a conversar com Olivier Guersent, um compatriota francês que trabalhava na política de fusão da UE.

"Ele me levou para tomar uma cerveja, tivemos uma conversa de uma hora e depois ele disse: 'Muito bem, você vai entrar no meu gabinete'", disse Guersent, atualmente diretor-geral de serviços financeiros da Comissão Europeia, em uma entrevista na quinta-feira. "Pedi uma noite para pensar, mas ele respondeu: 'Não, se eu lhe der tempo você poderia mudar de ideia. A oferta está na sua frente, é pegar ou largar. Então eu aceitei."

Dezessete anos depois, Barnier, natural de Savoy, a cenográfica região alpina da França, lidera a equipe da UE que negocia com o Reino Unido as condições de sua saída do bloco de 28 países e nesta semana também estipulou um prazo apertado para isso. De hoje até o final de 2018, ele verá se seus poderes de obter vantagem em uma mesa de bar continuam intactos ao tentar fechar um acordo entre o Reino Unido e os 27 países que estão sendo abandonados.

Com praticamente todos os fios brancos bem arrumados, alto, sempre vestido de forma impecável e com reputação de ter a fala mansa apesar de agir com dureza, sem dúvida Barnier, 65, estará à altura dos políticos defensores do Brexit do outro lado do Canal da Mancha, de acordo com quem o conhece. Mas essas pessoas reiteram que ele também não é nenhum ideólogo; ele levará em consideração perspectivas conflitantes e tentará chegar a um acordo aceitável para todas as partes.

"Ele acredita nos ideais da Europa, mas não é completamente dogmático em relação a isso -- ele busca soluções", disse Sharon Bowles, membro da Câmara dos Lordes do Reino Unido que conheceu Barnier entre 2010 e 2014, quando ela comandava o comitê econômico do Parlamento Europeu e ele era comissário de mercado interno da UE.

A advertência feita por Barnier na quinta-feira de que as negociações do Brexit precisam ser concluídas dentro dos próximos 18 meses foram recebidas com irritação em Downing Street. "É a primeira vez que ouvi falar disso", disse o porta-voz da primeira-ministra Theresa May, Greg Swift, a jornalistas.

O legislador britânico conservador Andrew Tyrie disse que "a mais recente declaração de Barnier é o tipo de coisa calculada para elevar a temperatura política em um momento em que ele deveria estar tentando esfriá-la."

Mas Barnier compreende as susceptibilidades britânicas, de acordo com pessoas que trabalharam para ele. Elas enfatizam que, quando era comissário, ele tomava cuidado para não propor leis que pudessem prejudicar o distrito financeiro de Londres e visitava a capital britânica com frequência. Anteriormente em sua carreira, sua breve atuação como comissário de políticas regionais da UE o envolveu no processo de paz da Irlanda do Norte.

"O instinto dele sempre diz que um bom acordo é melhor que um confronto ruim -- mas, se um confronto for necessário, ele não vai fugir", disse Guersent, que depois daquele primeiro dia no bar em Bruxelas ascendeu e se tornou chefe de gabinete de Barnier entre 2010 e 2014. "O Reino Unido pode esperar um negociador duro, porém justo."

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