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Romênia mostra como se manter à distância dos populistas

Lisa Fleisher e Irina Vilcu

(Bloomberg) -- Laura Kövesi está realmente sem paciência para a TV. Tudo o que ela vê, todas as noites, são ataques pessoais. Contra ela.

Kövesi, 43, é a enérgica promotora responsável pela organização anticorrupção da Romênia, e raramente ela esteve mais ocupada que agora. Cerca de 3.500 autoridades foram a julgamento no país nos últimos anos -- inclusive um primeiro-ministro em exercício. Só neste ano, isso levou à apreensão de cerca de 292 milhões de euros (US$ 310 milhões) em dinheiro e bens até agora.

Suas investigações sobre o establishment são um dos principais motivos que fazem com que a Romênia talvez seja o maior país europeu onde as elites correm o menor risco de sucumbir nas eleições deste ano a uma revolta populista do tipo que conquistou vitórias ou representou um desafio significativo em eleições recentes na Itália, na Alemanha e na Áustria. No ano que vem, a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, tentará obter uma vitória inesperada na eleição presidencial da França.

Mas a Romênia não tem alguns dos principais ingredientes do populismo, como uma elite política intocável. Em vez de uma população irritada bradando por acabar com as pragas, os romenos só querem certa estabilidade e um foco em questões como saúde e educação após anos de turbulência política.

O povo está feliz desfrutando do melhor crescimento econômico da Europa continental, de um caso de amor com a União Europeia e de uma investigação sobre os poderosos que já dura um ano. Ao mesmo tempo, a Romênia acolheu relativamente poucos refugiados e migrantes, e seus próprios cidadãos estão aproveitando os benefícios da política de livre circulação dentro do bloco da UE.

"Parece ser um país mais normal, qualquer que seja o significado de normal hoje em dia", disse Paul Ivan, analista político sênior do European Policy Centre em Bruxelas. "Uma espécie de ilha da política comum."

Corrupção

No dia 11 de dezembro, projeta-se que o Partido Social-Democrata -- conhecido como PSD e dominante - deverá conquistar uma maioria relativa nas eleições parlamentares, embora seu líder anterior, Victor Ponta, tenha sido indiciado pelo escritório de Kövesi. Ele está refutando as acusações.

"Foi muito fácil para o PSD se recuperar em um ano e se apresentar como o partido da estabilidade e o partido do crescimento futuro", disse Radu Magdin, consultor político que trabalhou para Ponta.

É exatamente isso o que muitos romenos afirmam desejar. Eles não querem se arriscar com o desconhecido, como votar para se separar da UE ou eleger um empresário sem experiência política e práticas diplomáticas pouco ortodoxas.

Hilde Brandl, 41 anos, candidata pela primeira vez ao Senado romeno, elogiou o trabalho da Diretoria Nacional Anticorrupção, conhecida no país como DNA. Ela disse que os políticos do país mantêm os cidadãos contentes com resultados pequenos, mas tangíveis.

Mas Brandl, que fundou uma empresa de arquitetura, disse acreditar que isso prejudica o quadro geral: essa corrupção impede um crescimento econômico ainda maior, porque desperdiça os impostos e permite que os políticos saiam impunes de vender barato os negócios do governo ao setor privado. O país está no 58º lugar do índice de corrupção da Transparência Internacional, logo abaixo da Grécia, mas acima do 69º lugar ocupado no ano anterior.

"Eles mantêm o povo pobre porque é muito mais fácil subornar com 50 euros pessoas que são pobres", disse ela.

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