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Expectativa para decisão do Fed se volta para Twitter de Trump

Christopher Condon

(Bloomberg) -- O drama na reunião do banco central americano nesta semana não estará no comunicado divulgado após o encontro. É praticamente consenso que o Federal Reserve vai subir a taxa básica de juros dos EUA. A emoção deve acontecer no Twitter do presidente eleito Donald Trump.

Ele criticou duramente a presidente do Fed, Janet Yellen, durante a campanha eleitoral. Sua reação à alta de juros esperada para esta quarta-feira pode revelar se e quanto Trump tentará pressionar a instituição durante o resto do mandato dela, que termina em fevereiro de 2018.

Os rendimentos dos títulos já subiram desde a surpreendente vitória de Trump em 8 de novembro, em antecipação à alta da inflação. Qualquer agressividade da Casa Branca com o Fed será notada. A expectativa é que a autoridade monetária continue aumentando os juros no ano que vem, mas em ritmo bastante gradual.

"É importante ficar de olho nisso", disse Donald Kohn, que já foi vice-presidente do Fed e hoje é acadêmico sênior da Brookings Institution, em Washington. "Ajuda a elaboração de políticas e a percepção pública da elaboração de políticas se o governo não faz comentários públicos. Reforça a ideia de uma autoridade monetária independente de pressões políticas de curto prazo. Corroer isso seria um passo na direção errada."

No passado, o Fed sofreu pressões mais severas do que um surto no Twitter. Porém, os governos Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama se recusaram a comentar publicamente as decisões do banco central. Isso pode mudar com Trump, que criticou o Fed durante a campanha e demonstrou repetidamente sua disposição para atropelar as convenções e sensibilidades do establishment em Washington.

Aparentemente, os representantes do Fed já estão incomodados. Desde a eleição, Yellen, seu vice Stanley Fischer, o integrante do comitê Jerome Powell e pelo menos quatro dos 12 comandantes de escritórios regionais do sistema fizeram declarações sobre a importância da independência da política monetária e não só por ser protocolo em Washington. Eles ressaltaram uma série de estudos mostrando que a política monetária isolada de pressões políticas de curto prazo resulta em uma economia mais robusta.

Quando a política monetária é definida por políticos preocupados com a reeleição, os resultados podem ser desastrosos. O Brasil é um exemplo. Em 2012, a então presidente Dilma Rousseff declarou que os juros estavam altos demais e as taxas foram cortadas diversas vezes. A inflação depois chegou aos maiores níveis em uma década.

Fed apolítico

Nos EUA, a Lei do Federal Reserve proporciona isolamento político à instituição, ao isentar as decisões de política monetária de avaliação contínua do Congresso, embora o presidente do banco central precise se apresentar ao Congresso duas vezes por ano para responder perguntas. O presidente da República nomeia diretores, presidente do Fed e seu vice, que precisam ser aprovados pelo Senado. Porém, essas pessoas não podem ser demitidas no meio de seus mandatos.

Faz muito tempo, mas a Casa Branca já ficou famosa por exercer pressão sobre o banco central. Em dezembro de 1965, o então presidente Lyndon Johnson convocou o comandante do Fed, William McChesney Martin, a comparecer ao rancho dele no Texas para questionar sua decisão de subir os juros. Martin defendeu sua posição.

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