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Fluxos misteriosos de ações da Venezuela causam perplexidade

Ben Bartenstein

(Bloomberg) -- Investidores estrangeiros estão injetando dinheiro nas ações venezuelanas.

Vamos pensar nisso um instantinho.

Sim, estamos falando da mesma Venezuela com inflação de três dígitos, escassez de alimentos e falta de remédios básicos. Onde a política é tão dividida que o Vaticano está negociando uma mediação enquanto líderes da oposição continuam presos. O país que, segundo os traders, tem a maior probabilidade de dar calote nos títulos soberanos durante o próximo ano.

Mas isso não impediu que alguém -- os dados não revelam quem -- injetasse cerca de US$ 50.000 na Bolsa de Valores de Caracas entre o dia da eleição presidencial dos EUA e 30 de novembro, de acordo com a EPFR Global e o Instituto Internacional de Finanças. Embora seja um pequeno desvio em um período em que US$ 34 bilhões em fundos de ações fervilharam pelo mundo, esse é o maior fluxo de entrada visto na Venezuela em 16 meses.

A maioria dos traders de ações venezuelanas são locais, desesperados para se protegerem do colapso recorde do bolívar no mercado paralelo, e um dos mistérios persistentes dos fluxos de entrada estrangeiros é qual a taxa de câmbio obtida pelo comprador. Oficialmente, o bolívar está fixado em cerca de 10 por dólar, a taxa que um investidor provavelmente pagaria para injetar dinheiro nesse mercado.

Mas os controles cambiais estritos significam que é quase impossível retirar dinheiro do país por essa mesma taxa, o que forçaria o investidor a recorrer ao mercado paralelo, onde US$ 1 custa 3.981 bolívares, de acordo com dolartoday.com, um site popular de monitoramento de câmbio. É difícil imaginar como alguém de fora da Venezuela poderia retirar os lucros do país.

"É muito esquisito", disse Anthony Simond, gestor de recursos em Londres da Aberdeen Asset Management, que acompanha a Venezuela desde 2010, a respeito dos fluxos. "Sinceramente, eu nunca tinha analisado isso antes. Eu nem sabia que estrangeiros podiam investir nesse mercado."

Na verdade, as ações venezuelanas estão muito ativas -- pelo menos segundo o tipo de câmbio oficial. Com a desvalorização no mercado paralelo, a Bolsa de Valores de Caracas mais do que dobrou no mês passado e registrou neste ano uma alta recorde de 149 por cento. É o melhor desempenho entre mais de 90 indicadores de ações monitorados pela Bloomberg no mundo inteiro.

Quem encabeça esses ganhos é a Corimon, que comprou as operações locais da Bridgestone em maio. A ação da fabricante de tintas com sede em Caracas subiu 2.814 por cento neste ano, embora nunca tenha tido mais de 100 transações em um dia.

"Há alguns anos, sempre se fazia uma visita à bolsa de valores durante viagens de pesquisa", disse Jan Dehn, chefe de pesquisa em Londres da Ashmore Group, que cobriu a Venezuela durante duas décadas. "Agora não."

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