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Excedente no mercado força produtores a abandonar trigo

Agnieszka de Sousa e Megan Durisin

(Bloomberg) -- O trigo é a erva daninha que alimenta. A planta é tão substanciosa que seu cultivo ocupa mais terras pelo mundo que qualquer outra cultura. Após quatro temporadas seguidas de colheitas recorde, os silos estão transbordando em lugares como Kansas, nos EUA, e a Austrália Ocidental e os preços estão perto do menor nível em uma década.

Mas há sinais de que esse excedente talvez não dure muito mais, ou pelo menos de que a oferta poderá diminuir o suficiente para interromper os quatro anos de queda dos contratos futuros do trigo. Os fazendeiros estão plantando menos porque muitos estão perdendo dinheiro. Ao mesmo tempo, o consumo global registra uma alta histórica. E o risco de um clima prejudicial para a safra ronda importantes países exportadores neste ano.

"Está difícil ser muito otimista", disse Benjamin Bodart, diretor da assessoria CRM AgriCommodities, em Newmarket, Inglaterra. "O mundo ainda está repleto de trigo. Não dá para negar. Mas indo um pouco mais fundo se vê que o potencial de queda agora é bastante limitado."

Embora muitos gestores de recursos continuem pessimistas -- eles apostam em preços menores há 17 meses seguidos --, o trigo deverá encarecer em 2017 pela primeira vez em cinco anos, segundo uma pesquisa da Bloomberg com 13 analistas. O Rabobank afirma que há uma "possibilidade real" de que ocorra um choque de oferta nos EUA e na Europa se os fazendeiros optarem por culturas mais rentáveis e o JPMorgan prevê uma queda de 8,4 por cento dos estoques neste ano.

Não é difícil entender por que o mercado caiu por tanto tempo. O trigo usado em todo tipo de alimentos, como pães, bolos e massas, cresce em todo tipo de clima e em intervalos de poucos meses há safras sendo colhidas em algum lugar do mundo. A produção global atingirá uma alta histórica de 751,3 milhões de toneladas quando a colheita atual do Hemisfério Sul estiver concluída, deixando os estoques em 252,1 milhões de toneladas, a maior de todos os tempos, mostram dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Preços mais baixos

Os preços caíram 13 por cento no ano passado, para US$ 4,08 o bushel, na Câmara de Comércio de Chicago, tendo atingido o menor nível em 10 anos, US$ 3,8675, em 31 de agosto e prolongado a sequência mais longa de perdas anuais desde 1999. O grão foi um dos maiores perdedores de 2016 entre as commodities e caiu mais da metade do valor em relação à alta de 2012. Na França, o trigo para moagem caiu 3,2 por cento, para 168 euros a tonelada, gerando um declínio total de 32 por cento em quatro anos.

A Rússia, maior exportadora do mundo, afirmou em 28 de dezembro que sua colheita de trigo de 2016 deu um salto de 19 por cento, mais do que o projetado pelos analistas. Os produtores da Argentina estão colhendo aquela que provavelmente será sua maior safra desde 2012, segundo a CRM AgriCommodities. E como o trigo é vendido em dólares nos mercados internacionais, a força da moeda americana está aumentando o incentivo para que os produtores de fora dos EUA exportem mais, mesmo com preços mais baixos.

Título em inglês: Too Much of Weed That Feeds Forcing Farmers to Ditch Wheat

Para entrar em contato com os repórteres: Agnieszka de Sousa em Londres, atroszkiewic@bloomberg.net, Megan Durisin em Chicago, mdurisin1@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2017 Bloomberg L.P.

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