Mercado reforça apostas em três altas do juro em 2017 nos EUA

Rich Miller e Christopher Condon

(Bloomberg) -- Está claro que a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, é favorável a três aumentos da taxa de juro em vez de uma abordagem mais dovish, com duas altas?

Esse é o burburinho entre os observadores mais ferrenhos dos passos do Fed ao analisar uma série de comentários das autoridades de política monetária nas últimas quatro semanas.

"Yellen provavelmente optou por três aumentos" em 2017 quando os membros do banco central americano divulgaram as projeções em dezembro, segundo Laurence Meyer, ex-diretor do Federal Reserve que agora comanda uma empresa de análise de políticas que leva seu nome, com sede em Washington.

A abordagem de Yellen é amplamente vista como dove, ou seja, com maior foco na redução do desemprego do que no controle da inflação. Ela também minimizou a mudança nas projeções da taxa quando conversou com repórteres depois do encontro do mês passado, dizendo que era apenas um aumento de 0,25 ponto percentual. A declaração pode ter levado muitos investidores a presumir que Yellen defende duas altas dos juros.

Se Yellen realmente está entre aqueles que esperam três aumentos da taxa de juro, isso elevaria a probabilidade de que o banco central materialize esse número, devido à sua influência sobre outros membros do Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável pelas decisões de política monetária. Também poderia novamente sacudir os investidores, que ainda esperam apenas duas altas este ano depois de um aumento em 2016, segundo as negociações com contratos derivativos de juros.

Dois aumentos

O presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, disse a repórteres em 9 de janeiro que prevê duas altas este ano. Em 6 de janeiro, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, também sugeriu que espera dois aumentos, dizendo que duas altas não eram "uma expectativa despropositada". Já o governador Daniel Tarullo, que no passado defendia uma abordagem decididamente cautelosa antes de subir as taxas, também é apontado como favorável a dois aumentos por vários economistas.

"Realmente não importa" se Yellen é a favor de dois ou três aumentos, disse Michael Gapen, economista-chefe para os EUA do Barclays Plc, em Nova York, e ex-economista do Fed. "A maior mensagem é que o Fed não é mais o único na jogada, e eles sabem disso. Terão de responder à política fiscal."

Gapen acredita que Yellen fará dois aumentos, mas disse que é possível argumentar que decida por três altas.

Luke Tilley, economista-chefe da gestora de recursos Wilmington Trust Corp. e ex-funcionário do Fed de Filadélfia, fez outro alerta, mesmo concordando que Yellen provavelmente teria projetado três aumentos.

"Não são intenções telegrafadas, mas expectativas", disse. "Estarão propensos a subir ou baixar [as taxas] com base em como veem a economia."

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