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Motoristas do Uber acampam em estacionamentos após turno nos EUA

Eric Newcomer e Olivia Zaleski

(Bloomberg) -- Nos anos 1970s, o mercado Safeway, que é conhecido como Social Safeway e fica no bairro Marina em São Francisco, era um dos pilares da cena de encontros antes do Tinder. Armistead Maupin lhe deu fama em seu livro de 1978, "Histórias de uma cidade", quando disse que esse era "o lugar mais quente da cidade" para conhecer gente. Durante anos, os moradores o chamaram de "Singles Safeway" ou "Dateway".

Quarenta anos depois, German Tugas, um motorista do Uber de 42 anos, passou a conhecer o local por outro motivo: seu estacionamento era um lugar seguro para dormir dentro do carro. Na maioria das noites durante a semana, Tugas dirige mais de 70 horas por semana em São Francisco, onde o trabalho é mais regular e as tarifas são mais altas que em sua cidade natal, Sacramento. Então, toda segunda-feira de manhã, Tugas sai às 4 horas, dá tchau à esposa e às quatro filhas e dirige quase 145 quilômetros até a cidade, onde transporta passageiros até ganhar US$ 300 ou ficar cansado demais para continuar dirigindo (na maioria dos dias, ele ganha US$ 230 líquidos, descontando despesas como gasolina). Depois, ele e pelo menos meia dúzia de outros motoristas do Uber se reúnem no estacionamento do Social Safeway para dormir no carro antes de mais um longo dia atrás do volante.

"Esse é o sacrifício", disse ele em maio, fumando um cigarro ao lado de seu Toyota Prius estacionado no Safeway à uma da madrugada, enquanto os barcos moviam-se suavemente na baia ao fundo. "Meu objetivo é conseguir uma casa em algum lugar mais perto, para não ter que fazer isso todos os dias."

A grande maioria dos motoristas que trabalham em tempo integral para o Uber volta para dormir em casa após o dia de trabalho. Mas, em todos os EUA, muitos não fazem isso. Esses motoristas moram perto de, mas não em, cidades caras onde podem aproveitar tarifas mais altas para levar funcionários de escritório mais endinheirados ao trabalho ou a jantares -- mas onde não conseguem ganhar dinheiro suficiente para sobreviver, mesmo trabalhando mais horas. Para maximizar o tempo, esses motoristas encontram estacionamentos de supermercados, aeroportos e albergues onde podem dormir durante várias horas depois de levar os passageiros de bares para casa e antes de começar o transporte da manhã.

De certo modo, motoristas dormindo em seus carros caracteriza, de um jeito extremo, o que o Uber afirma fazer melhor: oferecer flexibilidade aos motoristas, "Com o Uber, as pessoas tomam suas próprias decisões em relação a quando, onde e por quanto tempo dirigir", afirmou a companhia em um comunicado enviado por e-mail. "Nosso foco é garantir que dirigir com Uber seja uma experiência gratificante, independentemente de como você escolha trabalhar."

Em Chicago, Walter Laquian Howard dorme a maioria das noites no 7-Eleven que fica na esquina das avenidas Wrightwood e North Lincoln, local apelidado pelos motoristas de "Terminal Uber". "Larguei meu emprego achando que isso daria certo, e está ficando cada vez mais difícil", disse Howard. "Eles têm de entender que alguns de nós decidiram transformar isso em um trabalho de tempo integral."

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