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Trabalhadores de tecnologia da Índia culpam Trump por demissões

Saritha Rai

(Bloomberg) -- Swapana Bhosale ficou chocada quando soube neste mês que iria perder o emprego na Cognizant Technology Solutions, uma prestadora de serviços de tecnologia na Índia. Demissões na empresa são raras, principalmente se os funcionários estiverem no meio de um serviço para clientes, como ela estava.

"Tirar pessoas de projetos para demiti-las é incomum em nosso setor", disse Bhosale, que exigiu ser demitida em vez de pedir demissão para poder entrar com uma ação.

Bhosale, 36, aponta um culpado incomum pela perda de empregos no setor de terceirização do país: o presidente dos EUA, Donald J. Trump. Ela acredita que suas políticas imigratórias estão contribuindo para reduções antecipadas, agravando os prejuízos provocados pela automação e pela queda da demanda dos clientes. Cognizant e outras empresas, Infosys e Wipro, não querem divulgar quantos empregos demitiram, mas parece que o setor atravessa uma das maiores reduções de custos em mais de três décadas de história.

Bhosale não é a única que responsabiliza Trump. Em cidades como Bangalore, Chennai, Pune, Hyderabad e Calcutá, milhares de engenheiros que foram ou estão prestes a ser demitidos estão se reunindo em redes sociais e grupos de WhatsApp para denunciar as políticas de Trump. Eles discutem a criação do primeiro sindicato geral do setor de TI, o que poderia trazer mudanças maiores no setor de US$ 110 bilhões que é central para a economia indiana.

Reação

A visão do presidente que quer "fazer com que os EUA voltem a ser grandiosos" é diferente, claro. Trump fez campanha com a ideia de recuperar empregos nos EUA e criticou com frequência o setor de terceirização por substituir trabalhadores americanos por estrangeiros. Ele endurecerá os critérios para permitir a entrada de funcionários estrangeiros aos EUA, particularmente com o polêmico programa de vistos H-1B.

As empresas de terceirização da Índia estão reagindo para se adaptar. Neste mês, a Infosys afirmou que contrataria 10.000 americanos nos EUA, vagas que antes poderiam ter sido preenchidas por estrangeiros com vistos temporários. O anúncio enfureceu os trabalhadores, que formaram grupos de WhatsApp para denunciar que a empresa demite pessoas na Índia para poder contratar nos EUA.

Infosys, Cognizant e outras empresas negam. Elas afirmam que todas as demissões foram de praxe e ligadas ao desempenho. "Fazemos isso todos os anos, e os números podem variar a cada ciclo de desempenho", disse Sarah Vanita Gideon, porta-voz da Infosys, por e-mail. A empresa com 200.000 funcionários continua contratando e um novo grupo de recrutas começará a ser capacitado em breve, disse ela.

Sindicato

Trabalhadores começaram a debater um sindicato possivelmente histórico. Embora sejam comuns nos setores de fabricação e de transporte na Índia, os sindicatos nunca tiveram muito sucesso com TI, em parte por causa dos aumentos salariais de dois dígitos, benefícios atraentes e vagas no exterior.

Contudo, agora que a bonança acabou, os trabalhadores sentem a dor das demissões. Em Bangalore, Hyderabad e Chennai, grupos de ex-funcionários estão assinando petições para que os comissários de trabalho dos governos locais intervenham. Em Chennai, a única região onde recentemente funcionários de tecnologia receberam permissão para criar ou se unir a um sindicato, funcionários abriram um braço de TI no New Democracy Labor Front.

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