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Empreendedor tenta curar vício da carne que impera em Hong Kong

Larissa Zimberoff

(Bloomberg) -- David Yeung acredita que a carne é o novo tabaco. Mas esse vegetariano de longa data, também budista praticante, não tentará fazer você deixar de comer carne. Ele quer apenas que você pense na possibilidade de comer menos carne.

É o que ele está tentando fazer com os cidadãos de Hong Kong, que coletivamente ostentam o mais elevado consumo de carne e frutos do mar per capita do mundo, segundo um estudo de 2015 da Euromonitor. (Surpreendente, não? Daremos um momento para você digerir a informação). A missão de vida dele é fazer com que os cidadãos do nosso planeta -- particularmente os de sua cidade natal -- deixem de comer animais pelo menos um dia por semana. E está funcionando: os menus inspirados por sua filosofia "Green Monday", ou "segunda-feira verde", aparecem em centenas de restaurantes de Hong Kong e em escolas e universidades de todo o mundo.

Apesar de ter sido criado em Hong Kong, Yeung morou mais de uma década em Nova York. Quando ele tinha 16 anos, sua família se mudou para Nova Jersey, EUA, para estar mais perto da indústria da moda. O pai dele foi um dos quatro fundadores da empresa de roupas internacional Tommy Bahama. Yeung se formou em Engenharia na Universidade de Columbia em 1998, passou alguns anos oferecendo consultoria à PwC e depois lançou uma startup de softwares (atualmente extinta). Ele cresceu comendo carne, mas em 2001 mergulhou na filosofia budista, que tem por princípio central a verdade do sofrimento. Não precisou muito para que Yeung deixasse de olhar para dentro e passasse a olhar para fora e ele rapidamente concluiu que mudando sua dieta poderia impedir o sofrimento dos animais.

Pouco antes de se mudar de volta para Hong Kong, ele leu a respeito da Meatless Monday (Segunda-feira Sem Carne), uma campanha que exortava os americanos a deixarem de comer carne um dia por semana. "Eu percebi que a palavra 'meatless' não era a melhor escolha'", disse ele. Independentemente do idioma, da etnia, da geografia e do gênero, "verde" é uma palavra universalmente conhecida, disse ele. "Segunda-feira" também. "Elas devem estar entre as 50 primeiras palavras que as pessoas aprendem ao redor do mundo", disse Yeung. Por isso, ele as juntou de uma forma positiva que gera ação: "Green Monday".

Mas o que deixou Yeung mais animado foi o lançamento, em abril, do Beyond Meat burger -- um hambúrguer baseado em plantas com proteína de ervilha que parece carne (o tom rosado do interior vem das beterrabas) e tem gosto de carne (sério). As vendas já mais do que dobraram as projeções, um ótimo sinal de sua aceitação mais ampla. Como investidor na startup americana, Yeung se tornou um de seus maiores defensores. "Ele tem dado um enorme apoio à nossa marca", disse Ethan Brown, CEO da Beyond Meat, também vegetariano. Brown queria expandir-se no mercado internacional, mas precisava do parceiro certo. "Foi uma decisão fácil de tomar", disse Brown. "Ele cuida de todo o marketing e da distribuição e posicionou o hambúrguer de uma forma que só alguém que mora [em Hong Kong] poderia fazer." A parte difícil foi dar nome ao prato. Como não existe palavra para "beyond" ("além de") em cantonês, Yeung o chama de "hambúrguer do futuro". Para o empreendedor, o hambúrguer é do futuro e para o futuro.

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