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Prepare-se para a guerra dos charutos cubanos nos EUA

Jonathan Levin

(Bloomberg) -- Manuel Quesada fuma uma de suas criações ? algo de aspecto excêntrico chamado Q D'etat ? enquanto conta uma história de como os cubanos lhe provocaram. Foi em um jantar na Alemanha, no ano passado, quando o Cigar Journal o homenageou com um prêmio por sua trajetória. Todos se levantaram para aplaudir de pé, exceto o pessoal da mesa da Cubatabaco, representantes do monopólio estatal.

É verdade que o apresentador havia acabado de contar que a família Quesada teve que fugir da ilha na década de 1960, depois que sua empresa foi tomada por forças armadas fiéis a Fidel Castro. Sem dúvida, foi um momento incômodo, que só terminou quando um executivo de outra mesa correu para convencer os cubanos a ficar de pé.

"Eles foram obrigados a se levantar", disse Quesada, agitando-se. "Eu me considero um homem bom e pacífico, mas não me irrite. É por isso que eu não vou a Cuba. Porque eles me irritam."

No momento, ele está a uns 1.287 quilômetros de distância, na nebulosa sala de charutos de sua família em Santiago, cidade colonial no coração da República Dominicana onde ele, o pai, o irmão e um primo montaram um novo empreendimento de tabaco no exílio. A 20 minutos de carro dali fica a fábrica de tijolos vermelhos que produz os emblemáticos charutos Fonseca da Quesada Cigars, enrolados a mão, e tudo, dos robustos curtos e grossos a Churchills enormes, a maioria com a característica marca vermelha e dourada, e todos vendidos exclusivamente nos EUA.

Muitos deles se parecem com os charutos Fonseca que são produzidos até hoje em Havana ? gêmeos de um universo paralelo que são vendidos no mundo inteiro, exceto nos EUA, graças ao embargo comercial de seis décadas e mais um motivo de irritação para Quesada.

Ele considera que o produto, em sua opinião heterogêneo e inferior, é um insulto e fica enfurecido pelo fato de que seja tão estimado em todo o mundo. O solo cubano, rico em argila, de fato produz um tabaco maravilhoso, mas a dedicação à arte de enrolar charutos desapareceu durante o domínio comunista. "Não temos nada a temer daquele país", exclamou ele em um inglês quase perfeito, com um tom nasal sulista que ele adquiriu com o passar dos anos. "Não há orgulho, não há zelo."

Desde que John F. Kennedy impôs o embargo a Cuba, os charutos comunistas e os exilados nunca disputaram entre si o mercado dos EUA. O que vai acontecer quando essa briga começar é o assunto preferido dos círculos do charuto. Os EUA representam cerca de um terço do mercado mundial de charutos, de US$ 21 bilhões. Cuba adoraria conquistar uma parte dele, mas produtores como Quesada definitivamente não estão dispostos a ceder.

Não se sabe quando as sanções de fato terminarão. O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não se pronunciou oficialmente sobre as relações com Cuba (espera-se algum tipo de comunicado sobre isso em breve). No entanto, desde que seu antecessor, Barack Obama, começou a reatar os vínculos com a ilha em 2014, aumenta a noção de urgência no mundo dos charutos, que se prepara para o momento em que o tabaco enrolado com a etiqueta "Habana, Cuba" apareça nas lojas dos EUA.

"Falamos sobre isso o tempo todo", diz Quesada, que fez 70 anos em abril. "Vai ser uma briga e tanto. Não estamos despreparados."

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