Análise: Maior fundo de investimento do mundo recusa silêncio

Mark Gilbert

(Bloomberg) -- Os investidores levam cada vez mais a sério seus deveres ambientais, sociais e de governança corporativa. Eles estão retendo investimentos em setores que, segundo consideram, prejudicam o planeta ou a sociedade, e usando seus votos para conduzir as empresas por caminhos melhores. Mas isso funciona apenas se eles tiverem voz no conselho das empresas que ajudam a financiar -- uma voz que a chamada tirania da indexação ameaça silenciar.

Assim, o fundo soberano de investimentos da Noruega, de US$ 960 bilhões, o maior do mundo, está se posicionando contra os índices de ações que incluem empresas que não estão sujeitas ao controle dos acionistas. A decisão abre uma nova frente nas iniciativas do fundo para usar sua considerável -- e crescente -- influência para obrigar as empresas a melhorarem sua postura em relação a assuntos ambientais, sociais e de governança.

Há duas decisões iminentes e importantes para quem compila os índices que efetivamente decidem quais empresas os investidores têm que comprar (para não correrem o risco de terem desempenho inferior aos índices de referência). A Snap, que comercializa um aplicativo de fotos, fez uma oferta pública inicial de US$ 3,4 bilhões em março composta unicamente de ações sem direito a voto. Se a empresa ganhar o status de índice de ações, os gestores de fundos serão obrigados a comprar ações que não lhes oferecem nenhuma influência.

Um problema muito maior que esse é o da iminente venda de ações da Saudi Aramco, a petroleira estatal da Arábia Saudita. A empresa pode ser avaliada em mais de US$ 2 trilhões, o que a transformaria no maior IPO da história. A venda planejada, entretanto, não entregaria mais de 5 por cento da empresa a mãos privadas, deixando 95 por cento com o estado -- e investidores ficariam quase sem voz em relação à forma de operar da companhia.

Nesta semana, o fundo norueguês propôs o escalonamento do peso das empresas nos índices com base no poder de voto entregue aos acionistas. Yngve Slyngstad, seu CEO, disse a Jonas Bergman, meu colega da Bloomberg: "A sociedade se beneficia quando as empresas estão bem administradas e os proprietários de ativos levam a sério sua responsabilidade sobre a propriedade. O voto é uma ferramenta importante para garantir uma boa governança corporativa e garante que os proprietários de ativos possam tornar o conselho responsável e garantir geração de valor a longo prazo."

Essa é uma mensagem que ecoa em todo o setor de investimento. Em março, o fundo de pensão dinamarquês ATP, um dos maiores da Europa, com cerca de US$ 112 bilhões em ativos, se opôs ao pacote de salários proposto ao CEO da Carlsberg, Cees' t Hart. Nesse ano, o fundo votou contra cerca de metade dos pacotes de remuneração propostos em empresas dos EUA nas quais investe.

Enquanto isso, a Aviva, a maior empresa de seguros de vida do Reino Unido, se desfez de cerca de 1 bilhão de libras esterlinas (US$ 1,3 bilhão) em títulos e ações de empresas de tabaco nos últimos meses.

O fundo norueguês já está bastante empenhado em usar a força de seus investimentos para conter o que vê como uma remuneração executiva excessiva e recusar a compra de ações de empresas que considera que causam "graves danos ambientais". Ao fazer objeção aos índices que incluem ações de empresas que não dão voz suficiente para que os acionistas decidam seu direcionamento, o fundo está garantindo que poderá continuar usando seu considerável poder de investimento de forma responsável. Trata-se de um alerta que os provedores de índices deveriam levar em consideração.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Título em inglês: World's Biggest Wealth Fund Is Refusing to Be Silenced: Gadfly

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