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Energia solar de agricultores indianos ajudará distribuidoras

Anindya Upadhyay

05/02/2018 13h25

(Bloomberg) -- Uma proposta de compra da energia solar excedente dos agricultores da Índia poderia ampliar as receitas agrícolas e reduzir quase pela metade a perda de eletricidade das distribuidoras de energia afundadas em dívidas, segundo o órgão de planejamento elétrico do país.

A proposta, anunciada no orçamento do país, na semana passada, tem o objetivo de permitir que as distribuidoras de energia comprem eletricidade excedente dos agricultores que usam bombas de água movidas a energia solar e ajudará a reduzir as perdas das empresas de varejo com transmissão e distribuição, segundo Pankaj Batra, membro da Autoridade Central de Eletricidade. Os prejuízos técnicos e comerciais das distribuidoras poderiam cair de 23 por cento para uma média de cerca de 12 por cento.

"Os benefícios deste programa incluem estados que não têm que fornecer energia subsidiada aos agricultores", disse Batra em entrevista. "As perdas na transmissão cairiam porque deixaria de ser necessário contar com linhas longas para atender a demanda local e porque grande parte dos roubos seria reprimida."

A maioria das distribuidoras de eletricidade provinciais da Índia perde dinheiro devido a roubos e por vender energia abaixo do custo aos pobres e ao setor agrícola, que usa quase um quinto da energia gerada no país. As distribuidoras estatais detinham uma dívida combinada de 4,3 trilhões de rúpias (US$ 67 bilhões) em setembro de 2015, segundo os últimos dados disponíveis.

Bombas solares

Há cerca de 142.000 bombas solares na Índia, afirmou a instituição de pesquisa de políticas Conselho para Energia, Meio Ambiente e Água (CEEW, na sigla em inglês), em relatório de janeiro. O governo mira a instalação de um milhão de bombas solares até 2021.

Para chegar lá, o governo planeja usar 480 bilhões de rúpias (US$ 7,5 bilhões) em assistência financeira para criar mais de 28 gigawatts de capacidade solar para bombas de irrigação por meio de um programa chamado Kisan Urja Suraksha evam Utthaan Mahabhiyan, ou KUSUM, segundo o ministro de Energia, Raj Kumar Singh.

"Propomos solarizar cada bomba e começaremos a trabalhar assim que o programa for aprovado", disse Singh a jornalistas, na sexta-feira, acrescentando que o programa começará com 1,75 milhão de bombas. A Índia possui 30 milhões de bombas agrícolas, um terço delas a diesel, segundo o ministro.

As bombas solares poderiam melhorar o acesso à irrigação e representar uma alternativa àquelas alimentadas por eletricidade ou diesel, informou o CEEW. Cerca de 800 milhões de indianos, em uma população de 1,3 bilhão, vivem da agricultura, mas menos da metade de suas terras tem acesso a irrigação.

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