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Grandes gestoras voltam a aumentar risco na renda fixa dos EUA

Anooja Debnath e Cecile Gutscher

26/02/2018 14h15

(Bloomberg) -- Nem todos concordam com Bill Gross, que vê o início de uma fase de pessimismo no mercado de títulos dos EUA.

Ex-colegas do lendário investidor na Pacific Investment Management Co. (Pimco) estão voltando lentamente a papéis mais expostos ao risco de juros, apesar da proximidade da barreira psicológica de 3 por cento no rendimento dos títulos do Tesouro com prazo de 10 anos. Eles não são os únicos. A Nomura Asset Management também está reativando apostas em duração.

Essas gestoras de recursos questionam o argumento segundo o qual a inflação vai voltar junto com o crescimento econômico e elevar o rendimento dos títulos. Para quem concorda com o bilionário Gross, o chamado bear market se confirmou quando a taxa dos títulos do Tesouro americano de 10 anos passou de 2,5 por cento, em janeiro. Mesmo com muita oferta a caminho e o banco central (Federal Reserve) com uma postura agressiva, a Pimco e outras instituições não esperam aceleração do movimento de desvalorização dos títulos.

"Começamos a chegar em um nível interessante e podemos cobrir nossa alocação baixa em duração", disse Geraldine Sundstrom, diretora-gerente e gestora de carteiras da Pimco, que administra um fundo de US$ 1,75 trilhão. "Não achamos que a inflação subirá rapidamente."

Em vez disso, a expectativa é de alta mais contida dos preços para um patamar próximo da meta do Fed, de 2 por cento, mantendo os rendimentos dos títulos sob controle.

Avidez por duração

Os investidores estavam ávidos por risco de duração quando a política de juro zero negativou os rendimentos de trilhões de dólares em títulos. Trata-se de um indicador da sensibilidade do preço de um título à variação dos juros - papéis com duração mais longa geralmente ganham mais quando os juros caem e perdem mais quando os juros sobem.

Richard Hodges, da Nomura, se protegeu do tombo recente dos títulos graças à exposição que criou à queda dos títulos públicos desde novembro, por meio de contratos de opção. Recentemente, ele começou a ampliar a duração média do fundo, que havia sido totalmente eliminada há um mês.
"Minha duração estava negativa durante dezembro e janeiro e agora está positiva", ele revelou. "Os rendimentos subiram muito rápido e atingiram nossos alvos quando o mercado começou a descontar rapidamente mais acréscimos nos juros, com a orientação que o Federal Reserve continuou dando."

Mensuração complicada

A duração efetiva permanece próxima de sete anos, um recorde com base no BofA Merrill Lynch Global Broad Market Index. Isso implica queda de preço ao redor de 7 por cento por ponto percentual de aumento no rendimento médio. Porém, à medida que o mundo se distancia de uma década de política monetária ultraflexível, fica difícil estimar o risco de juros a partir da duração.

Os bancos centrais estão reduzindo estímulos e o Fed também está desbastando a montanha de títulos que acumulou durante a crise, em sua trajetória consistente de aumento dos juros. O Banco Central Europeu reduziu o programa de compra de títulos pela metade neste ano e deixou em aberto a continuidade do mesmo depois do fim por ora agendado para setembro.

Analistas se perguntam se os investidores ficaram pessimistas demais em relação a duração quando os títulos globais foram derrubados. O rendimento no título do Tesouro americano com prazo de 10 anos voltou a recuar para 2,88 por cento na sexta-feira, após atingir 2,95 por cento no fim da semana passada.

--Com a colaboração de Charlotte Ryan