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Cobalto é bola da vez, mas executivo ainda aposta no petróleo

Danielle Bochove

27/02/2018 14h28

(Bloomberg) -- A empresa de streaming e royalties de minerais mais valiosa do mundo vê mais oportunidades nos combustíveis fósseis dos EUA do que em commodities para baterias como o cobalto e o lítio, bolas da vez no setor.

A Franco-Nevada, que compra antecipadamente parcelas de produções futuras, está concentrando o foco na gigantesca bacia de Permian, na qual pode fechar negócios lucrativos na faixa dos US$ 500 milhões, disse o presidente do conselho da empresa, Pierre Lassonde, em entrevista à Bloomberg TV. Quanto ao cobalto, ingrediente fundamental das baterias recarregáveis, as oportunidades são pequenas e inconstantes e os investidores estão superestimando a rapidez da transferência de demanda para os veículos elétricos.

"A situação como um todo é bastante exagerada", disse, na segunda-feira, na conferência anual de mineração da BMO, na Flórida. "O cronograma sobre o qual estão falando é otimista demais. Vai demorar muito, muito mais tempo para a indústria atingir um tamanho significativo."

Enquanto o cobalto oferece poucas oportunidades de streaming, a Franco-Nevada pretende analisar um negócio no Canadá, disse. Indagado se esse negócio no Canadá está dentro do complexo de níquel Voisey's Bay, da Vale, confirmou: "Bem, talvez. Sim."

A eletrificação roubou a atenção dos investidores que participaram da conferência da BMO nesta semana, segundo o codiretor de metais e mineração do banco, Ilan Bahar.

E em meio à expansão da busca global por ingredientes para baterias recarregáveis, a Agnico Eagle Mines está preparando seus ativos de cobalto em Ontário para uma possível venda. A produtora de ouro com sede em Toronto avalia seus ativos de cobalto canadenses após receber cinco ou seis consultas, disse o CEO Sean Boyd, na segunda-feira, em entrevista.

No caso da Franco-Nevada, as oportunidades são muito melhores na bacia de Permian, disse Lassonde.

As empresas de streaming oferecem financiamento para as produtoras em troca de uma fatia -- ou stream -- da produção futura com desconto. Enquanto as mineradoras lamentavam a crise das commodities, a Franco-Nevada, que tem sede em Toronto, enxergava uma oportunidade para comprar streams de ativos de primeira linha a preços baixos.

Em 2016, o CEO da Franco-Nevada, David Harquail, afirmou que a empresa desejava fechar mais dois negócios de mais US$ 500 milhões.