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McDonald's é acusado de não cumprir promessa de aumento salarial nos EUA

Teresa Crawford/AP Photo
Imagem: Teresa Crawford/AP Photo

Josh Eidelson

02/04/2018 11h13

(Bloomberg) -- Três anos depois que o McDonald's surpreendeu ao anunciar que pagaria a todos os funcionários de lanchonetes pertencentes à companhia nos EUA pelo menos US$ 1 por hora acima do salário mínimo local, alguns funcionários afirmam que a gigante de fast-food não cumpriu essa promessa.

Em abril de 2015, em meio a um aperto no mercado de trabalho e após uma série de protestos trabalhistas notórios, a gigante dos hambúrgueres lançou um novo piso salarial sem precedentes para funcionários em cerca de 1.500 lanchonetes administradas diretamente pela corporação.

"Uma força de trabalho motivada leva a um melhor atendimento ao cliente, por isso acreditamos que essa medida inicial não beneficia apenas nossos funcionários, mas também melhora a experiência nas lanchonetes do McDonald's", afirmou o CEO, Steve Easterbrook, no comunicado que anunciava a medida.

A partir de 1º de julho daquele ano, todos os funcionários das lanchonetes pertencentes à empresa receberiam pelo menos US$ 1 por hora acima do salário mínimo local, afirmou a empresa.

No entanto, em 2018 alguns dos funcionários de Easterbrook dizem que o McDonald's violou o espírito do anúncio --o dólar acima do salário mínimo local-- que o McDonald's hoje afirma que foi uma medida particular projetada especificamente para 2015, não para durar para sempre.

Uma série de contracheques recentes de 16 funcionários do McDonald's em oito cidades, divulgada pela campanha "Luta por US$ 15", que conta com apoio sindical, mostra que os funcionários recebem valores por hora substancialmente inferiores a um dólar acima do atual salário mínimo local.

Contracheques

Kayla Kuper, funcionária de Chicago que trabalha em uma lanchonete pertencente à companhia desde 2015, disse que foi contratada com um salário de US$ 11 por hora, um dólar acima da tarifa de US$ 10 por hora que a cidade começou a exigir naquele ano, de acordo com um decreto de 2014.

Desde então, o salário mínimo de Chicago subiu para US$ 11 por hora, mas o salário de Kuper só aumentou para US$ 11,40.

"O aumento salarial realizado em 2015 --para deixá-lo US$ 1 acima do salário mínimo local-- foi aplicável aos salários locais em 1º de julho de 2015, mas não se tornou uma política permanente", disse Terri Hickey, porta-voz do McDonald's, em comunicado enviado por e-mail.

O aumento de 2015 nos salários iniciais foi "parte de um amplo pacote de benefícios que também incluiu folgas pagas", disse Hickey. O pacote também incluía assistência financeira para educação, que foi ampliada no mês passado, acrescentou a porta-voz da empresa com sede em Oak Brook, Illinois.

Pressão sindical

A campanha "Luta por US$ 15", uma iniciativa existente há seis anos do Sindicato Internacional dos Funcionários de Serviços para organizar trabalhadores de fast-food e garantir leis salariais mais rigorosas, aproveitou os contracheques como prova de que o anúncio do McDonald's de 2015 foi um "golpe de publicidade".

O grupo planeja lançar uma linha direta para que os trabalhadores possam ligar e informar seus salários, e realizará comícios em três cidades na terça-feira para reiterar o argumento de que os trabalhadores precisam de um sindicato para responsabilizar a empresa.

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